Davi

Davi filho de Jessé (hebraico דָּוִד; דָּוִיד ; grego Δαυίδ; “amado”) foi rei de Judá e depois sobre todo Israel no período da monarquia unida. Teria reinado entre c. 1010 a c. 970 a.C.

O ciclo narrativo sobre Davi aparece de 1 Sm 16:13-1 a Re 2:12. Pastor do rebanho de seu pai, tornou-se músico na corte de Saul e se voluntariou para enfrentar os filisteus. Perseguido pelo enciumado Saul, não se levantou contra o rei, mas viveu em fuga, ajuntando um grupo de soldados irregulares. O profeta Samuel ungiu Davi como o futuro rei de Israel.

Após a morte de Saul, Davi unifica as tribos , mas enfrenta dificuldades em sua vida familiar.

Errante e dependente do perdão divino, Davi é o arquétipo do beneficiário da graça. Os salmos davíticos expressam essa relação de confissão, clamor e conforto esperando no Senhor. Com a promessa de que sua linhagem ocuparia o trono de Israel para posterioridade, nos livros dos profetas a dinastia davídica ocupa uma posição especial. Assim, na esperança messiânica o legado de Davi aparece em Jesus Cristo como herdeiro de seu reino.

Émile-Guillaume Léonard

Émile-Guillaume Léonard (1891 – 1961) foi um historiador francês, especialista em história do protestantismo, que publicou uma das primeiras obras acadêmicas sobre a Congregação Cristã no Brasil.

Léonard nasceu em uma família huguenote francesa. Estudou história, defendendo sua tese de graduação em 1919 sobre as chancelarias francesas medievais. Em 1932, defendeu sua tese de doutorado. A partir de 1940 sua pesquisa então se concentrou no protestantismo. Foi influenciado pela escola dos Annales, especialmente por Lucien Febvre.

Léonard fez parte da Missão Francesa que veio ao Brasil para trabalhar na Universidade de São Paulo, onde esteve de 1948 a 1950. Depois lecionou História da Igreja na Faculdade Livre de Teologia Reformada de Aix-en-Provence. Foi diretor de estudos da Seção de Ciências Religiosas da Escola de Altos Estudos.

Enquanto esteve no Brasil, foi mentor toda uma geração de cientistas sociais e historiadores e orientou muitos de seus alunos a realizarem trabalho de campo nas igrejas protestantes brasileiras, incluindo a Congregação Cristã no Brasil.

Em seu O Iluminismo num Protestantismo de Constituição Recente (1953), publicada primeiro como um número especial em francês e mais tarde em português, Léonard cobre muitas denominações e personalidades populares as quais ele chamam de “iluministas” — reivindicando inspiração pelo Espírito — como a Igreja Evangélica Brasileira e Miguel Vieira Ferreira, o Padre José Manoel da Conceição e a Congregação Cristã no Brasil.

BIBLIOGRAFIA SELECIONADA

Léonard, Emile-G. “O protestantismo brasileiro. Estudo de eclesiologia e de história social”, em Revista de História, nº 5 a 12, 1951-1952. Depois reunidos num único volume, O Protestantismo Brasileiro. São Paulo: ASTE, 2002.

Léonard, Emile-G . “L’illuminisme dans un protestantisme de constitution récente (Brésil)”, 1953. Parte da “Bibliothèque de l’École des Hautes
Études” – Section des Sciences Religieuses. Em português: iluminismo num protestantismo de constituição recente. São Bernardo do Campo: Programa Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião, 1988.

Léonard, Emile-G. “O Protestantismo Brasileiro. Estudo de eclesiologia e de história social.” Revista de História 2.5 (1951): 105-157. DOI https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.v2i5p105-157

Léonard, Émile-G. “O Protestantismo Brasileiro. Estudo de eclesiologia e de história social (II).” Revista de História 2.6 (1951): 329-379. DOI https://doi.org/10.11606/issn.2316-9141.v2i6p329-379

Léonard, Émile-G. Histoire générale du protestantisme, Paris, PUF, 1961-1964. Reeditado na coleção «Quadrige», 1988. Versão em inglês.


SOBRE SUA VIDA E OBRA

Carvalho, Marcone Bezerra. Émile-G. Léonard e sua contribuição aos estudos do protestantismo brasileiro. 2013. 164 f. Dissertação (Mestrado em Religião) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2013. http://tede.mackenzie.br/jspui/handle/tede/2430

Reulos, Michel. “Émile-G. Léonard”. Bulletin de la Société de l’Histoire du protestantisme français, vol.108 (abril-junho 1962), p.104-110.

École Pratique des Hautes Études. Émile-Guillaume Léonard.

Nabonido

Nabonido (נבונאיד, Nəḇōnāʾid; Ναβονίδης, Nabonidēs), último rei do Império Neobabilônico (556-539 a.C.), é uma figura intrigante que despertou o interesse de historiadores e estudiosos da Bíblia. Diferentemente de seus predecessores, Nabonido não era de origem caldeia, e sua ascensão ao trono foi marcada por circunstâncias obscuras.

Pai de Belsazar (Dn 5:1), com quem compartilhou o governo, Nabonido demonstrou grande interesse pela religião e pela arqueologia, restaurando templos antigos e promovendo o culto à deusa lunar Sin. Essa devoção o levou a passar grande parte de seu reinado em Tema, na Arábia, enquanto Belsazar administrava Babilônia (Dn 5:1,7,16).

A Bíblia menciona Nabonido indiretamente em Daniel 5, no contexto do banquete de Belsazar e da queda de Babilônia diante dos persas. Textos cuneiformes revelam que Nabonido foi derrotado por Ciro, o Grande, e levado cativo para a Carmânia.

Cerca de 3000 registros históricos apontam para Nabonido (555 – 539 a.C.) como o último monarca babilônico. As Crônicas de Nabonido (descobertas em 1884), as Inscrições de Nabonido em Harran (publicadas em 1956) e a Oração de Nabonido encontrada nos manuscritos do Mar Morto (4QPrNab) apontam para um período de ausência do rei. Nesse período, Nabonido teria ficado em Temã, um oásis no noroeste da Arábia, e seu filho Belsazar (r.550–539 a.C.) permaneceu como regente da Babilônia.

Os interesses de Nabonido pela história motivou-o a escavar em busca de artefatos, escrever uma cronologia da história mesopotâmica e construir um museu. Desconsiderando as deidades babilônicas estabelicida, teria voltado ao culto do deus Sin. Sin, Nanna dos sumérios, era representado pela lua crescente e tido como o criador de todas as coisas, pai dos céus e chefe dos deuses. É possível que em Dn 2-4 se refira a Nabonido.

Semelhante a Enkidu, o homem feral do épico de Gilgamesh, Nabucodonosor (ou Nabonido) teria vivido no campo como animal, antes de sua restauração. Por fim, após a sua morte, o Império Babilônico sucumbiu aos persas.

Oração de Nabonido (4QPrNab), originalmente composta por judeus que viviam na Babilônia, sugere que o rei sofria de um grave problema de pele. Então, Nabonido teria fugido da Babilônia para o deserto. Lá, orou ao Deus dos judeus por sua restauração.

Pietro Ottolini

Pietro ou Peter Ottolini (1870-1962) pioneiro do avivamento pentecostal italiano em Chicago e missionário na Itália. Por muitos anos desenvolveu seu ministério em St. Louis, Missouri, na região central dos Estados Unidos.

Em 1891, Ottolini deixou sua Pescaglia natal, província de Lucca, Itália, com destino a Chicago. Três anos depois, Peter casou-se com Emma Pacini. Os recém-casados passaram a morar ao lado dos Menconis. Emma, uma leitora ávida, estava procurando um livro interessante quando um hóspede da casa dos Menconi disse que a Bíblia era uma literatura entretenedora.

Emma ficou interessada, mas naquela época era difícil encontrar uma Bíblia publicada em italiano. A vizinha colocou-a em contato com um evangelista, Giuseppe Beretta, que lhe vendeu o precioso livro. Para o desânimo de Emma, o livro era confuso. Assim, ela chamou o homem que vendeu o livro e pediu que lhe explicasse. Beretta começou a fazer leituras da Bíblia no lar dos Ottolini.

Em uma das reuniões, Emma pediu-lhe que orasse por ela. Beretta orou e impôs sua mão sobre sua cabeça dizendo “Irmã, em nome de Jesus, seus pecados estão perdoados.” O Senhor a salvou e transformou nessa oração. Após a desconfiança inicial de Peter Ottolini, o casal aceitou com alegria a vida cristã.

Beretta convidou os Menconi e outros vizinhos para essa reunião. Logo, o grupo tinha 18 pessoas reunidas nas casas de Menconi e Ottolini. Beretta se sentia incapaz de ministrar a um grupo tão crescente, então os convidou a frequentar a única congregação protestante italiana de Chicago, a Primeira Igreja Presbiteriana Italiana. Rev. Grilli, o pastor os acolheu. Contudo, a congregação, muitos deles evangélicos desde o nascimento, sentiu a informalidade do grupo perturbadora: eles interferiam na ordem do culto dando testemunhos. Beretta deixou essa Igreja com seus discípulos e eles congregatam em cultos domésticos até passarem pelo batismo nas águas em 1904.

Em 1907, Ottolini e Menconi, então ancião daquele grupo chamado de “Igreja dos Toscanos”, tiveram uma experiência espiritual intensa. A missão, uma igreja em um salão comercial, que eles tinham na W. Grand Avenue em Chicago passou por um poderoso avivamento no Espírito Santo.

Posteriormente, Ottolini foi para o campo missionário em St. Louis. Entre 1910 e 1914, os Ottolinis, sob severas dificuldades econômicas, pregaram o evangelho na Itália, nas cidades de Luserna San Giovanni, Milão, Gissi e Ginosa.

Após seu retorno a Chicago em 1917, Pietro Ottolini sentiu que o fervor do avivamento havia esfriado. Após uma série de sermões exortando a buscar a presença de Deus, passou a urgir que “sem o Batismo do Espírito Santo ninguém poderia ser salvo”. Foi o suficiente para o conselho de anciãos colocá-lo sob disciplina.

Uma carta circular foi emitida aconselhando as igrejas a fecharem-lhe seus púlpitos.

Em um arranjo informal, os anciãos reconheceram a obra do Senhor sobre sua vida, mas restringiram seu ministério a uma única igreja. Ottolini escolheu a igreja de St. Louis, um de seus primeiros campos missionários. Naquela época, a igreja de St. Louis estava em uma posição difícil, pois havia apenas poucas famílias, com umas irmãs cujos maridos eram descrentes e um jovem doente, Leonard Erutti.

Os Ottolinis se mudaram para St. Louis e começaram a renovar a igreja. Essa obra prosperou com a ajuda do Senhor. Leonard Erutti tornou-se pastor assistente e genro dos Ottolinis.

Atualmente, a Full Gospel Evangelical Assembly possui uma igreja numerosa em Afton, um subúrbio na parte sul de St. Louis, aderindo ao mesmo compromisso simples e firme com o evangelho que seus antepassados ​​lhes ensinaram.

Mesmo isolado, Peter Ottolini fez um poucas viagens visitando as igrejas italianas no Nordeste, antes de morrer na venerável idade de 92 anos.

BIBLIOGRAFIA
Erutti, Leonard. Life and Work of Peter Ottolini. St. Louis, 1963.
Francescon, Louis. Testemunho fiel. Chicago, 1952.
Toppi, Francesco. Pietro Menconi. Roma: ADI-Media, 1997.
Contatos pessoais com Elmer Erutti (2001), Sandra Giacolleto-Worth (2001) e visita de campo a St. Louis (2004).


COMO REFERENCIAR

ALVES, Leonardo Marcondes (ed.). Pietro Ottolini. Círculo de Cultura Bíblica, 2021. Disponível em: https://circulodeculturabiblica.org/2021/07/19/pietro-ottolini/. Acesso em: 04 jul. 2021.

Esdras

  1. Esdras, em hebraico עֶזְרָ֔ה, um descendente de Judá (1 Crônicas 4:17).
  2. Esdras, em hebraico  עֶזְרָא, em grego ̓́Εσρας, ̓Εσδράς, é um personagem e livro com seu nome do período pós-exílico, durante o Período Persa.

O escriba Esdras, filho de Jozadaque, era um aaronita (1 Crônicas 6:3-15 e Esdras 7:1-5), que liderou a comunidade de Judá pós-exílica e descendente de Aarão, conforme registrado em 1 Crônicas 6:3-15 e Esdras 7:1-5. Também é chamado de escriba, bem versado na lei de Moisés (7:6),

Retornou de aproximadamente 5.000 pessoas, incluindo 1.750 homens, da Babilônia para Jerusalém, cerca de 70 anos depois do primeiro retorno sob Zorobabel. A missão de Esdras foi restaurar a observância da Torá, tal como Zorobabel restaurou o templo e Neemias os muros e a cidade de Jerusalém.

Tradicionalmente situando-o em 457 aC, durante o reinado de Artaxerxes I. No entanto, seria possivel uma data posterior em 398 aC, se sob Artaxerxes II.

A tradição judaica pós-bíblica venera Esdras, atribuindo-lhe a restauração e publicação do cânon hebraico, supostamente perdido durante o cativeiro. Na tradição rabínica, a linhagem de Esdras remonta a Seraias, o último Sumo Sacerdote do Templo de Salomão.

NOMENCLATURA DOS DIFERENTES LIVROS COM O NOME DE ESDRAS

Texto Massorético HebraicoEdições ocidentais mais comunsVulgata de JerônimoVulgata Clementina Septuaginta (Old Greek)Versão etíope Nomes alternativos
EsdrasEsdrasNeemias1 Esdras 
Esdras B
1 EsdrasEsdras-Neemias
Neemias2 Esdras  (Neemias)
ausente1 Esdras  (na Apócrifa)ausente3 Esdras (na Apócrifa)Esdras AEsdras Gregos ou 3 Esdras
2 Esdras (na Apócrifa)4 Esdras (na Apócrifa)ausenteEsdras Sutuel(Cap. 3–14)4 Esdras
ou Apocalipse Judaico de Esdras
ou Esdras Apocalíptico
Esdra Latino
ausente(Cap. 1–2)5 Esdras
(Cap. 15–16)6 Esdras