Tabuletas de Murashu

As tabuletas de Murashu ou de Murašû são uma coleção de documentos comerciais da grande casa bancária de Murashu and Filhos em Nippur, datados de cerca de 530 aC.

Descobertos em 1893, são 879 servindo cerca de uma centena de famílias judias e quase 2500 nomes. Registra as atividades dos exilados israelitas na Babilônia.

Estas tabuletas de argila em escrita cuneiforme fornecem informações valiosas sobre a história económica e social do período, incluindo detalhes sobre as atividades empresariais da família Murashu durante o reinado de Dario II.

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Documentos de Al-Yahudu

Arquivo de Salome Komaise

Salome Komaise Filha de Levi viveu entre c. 94 d.C. a 132 d.C. Morava em Mahoza, uma vila que inicialmente fazia parte do reino nabateu, mas depois foi incorporada à província da Arábia romana.

Contém contratos notariais (escritura de doação, contrato de casamento, escritura de renúncia a créditos) e dois recibos. Estão escritos principalmente em grego e nabateu, refletindo a natureza multilíngue da comunidade naquela época.

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Arquivos de Babatha

Papiros de Zenon

Os papiros ou o Arquivo de Zenon (c.280-c220 a.C.) consiste de grupo de documentos descobertos na antiga Filadélfia, na região de Fayum, no Egito. Esses papiros eram documentos mantidos por Zenon, secretário de um funcionário do governo egípcio.

O Arquivo de Zenon registra a vida e a administração do Egito ptolomaico e datam do século III a.C,. entre os reinados de Ptolomeu II e Ptolomeu III.

Zenon, filho de Agreofonte, nasceu na cidade de Kaunos, na costa da Cária, na Ásia Menor grega.

Em 260 a.C., Zenon era secretário de Apolônio, um conselheiro de Ptolomeu II, responsável pelo tesouro e supervisão de várias terras. Além de manter os documentos, fazia o papel de chefe de gabinete, supervisionando os bens e interesses particulares de Apolônio, bem como escrutinando pessoas que pediam audiência com seu empregador.

Zenon parece ter viajado extensivamente em nome de Apolônio por todas as propriedades ptolomaicas. Teria viajado pela Palestia, Transjordânia e Síria. Atesta a presença da comunidade judia dos tobíadas em Amã. Também atesta a vida dos judeus no Egito.

O arquivo foi descoberto na década de 1915 nos restos de uma casa.

BIBLIOGRAFIA

https://apps.lib.umich.edu/reading/Zenon/index.html

Zenon Papyri: Jews in Hellenistic Egypt

Papiros de Afroditópolis

Afroditópolis (Afrodites Polis ou Aphroditopolis) é o nome grego de vários lugares no antigo Egito. No caso, os papiros encontrados em Afroditópolis é a localidade também chamada Pathyris (El-Gabalein). O sítio arqueológico de Naga el-Gherira está localizado a cerca de 32 quilômetros ao sul de Luxor (antiga Tebas), na margem ocidental do Nilo.

Era um centro de culto a Hator, a quem os gregos identificaram com Afrodite e visitada por Estrabão.

Uma necrópole do período ptolomaico forneceu vários papiros e óstracos gregos e demóticos. Entre 1890 e 1930 esses materiais foram descobertos. Entre eles está o arquivo do mercenário Horos, filho de Nechoutes, e o arquivo de Dryton e Apollonia.

No reinado de Ptolomeu VI Filometor, foi criado um acampamento militar após a rebelião tebana de 186 aC. As forças rebeldes destruíram a base em 88 aC., depois disso, não foi mais ocupado em larga escala.

Os papiros de Afroditópolis não devem ser confundidos com os papiros de Afrodito.

Bell, Harold Idris. “The Aphrodito Papyri.” The Journal of Hellenic Studies 28.1 (1908): 97-120.

Amarna

Tel el-Amarna é o sítio arqueológico da antiga Akhetaton, a capital do Egito no século XIV a.C. durante o reinado de Amenhotep IV.

As cartas de Amarna são uma coleção de 382 tabuletas cuneiformes do século XIV a.C. da correspondência entre vários governantes do Antigo Oriente Próximo e dos faraós egípcios do Novo Império Amenhotep III, Amenhotep IV (Akhenaton), Smenkhkara e Tutankhamon.

O reinado de Akhenaton (1353-1336 aC), conhecido como ‘o faraó herege’ foi marcado por amplas reformas religiosas que resultaram na supressão das crenças politeístas e na elevação de seu deus pessoal Aton à supremacia.

Os templos de todos os deuses, exceto os de Aton, foram fechados, as práticas religiosas foram proibidas ou severamente reprimidas e a capital do país foi transferida de Tebas para a nova cidade do rei, Akhetaton (Amarna). Efetivamente, foi a primeira religião monoteísta de estado da história.

Em 1887 uma mulher local que estava cavando no barro em busca de fertilizante descobriu essas tábuas cuneiformes de argila. Elas contém 350 correspondências do Egito com a Assíria, Hatti, Mitanni, Babilônia e cidades-estados do Levante. Há referências a várias cidades cananeias mencionadas na Bíblia, dentre eles a carta a ‘Abdi-Heba, rei de Jerusalém. Em outras 32 tabuletas são exercícios de treinamento escribal, com valiosos textos literários como o conto de Adapa. Esses documentos fornecem uma janela para as relações internacionais da Idade do Bronze tardia.

O período de Amarna pode ser considerado a época da primeira globalização. Mercadorias do Extremo Oriente eram trocados via o Oceano Índico. O Egito comercializava comnos hititas. Há indícios de uma integração que envolvia toda a Bacia do Mediterrâneo.

Além de providenciar informações sobre o contexto bíblico, o período de Amarna fornece O grande hino a Aton ou Aten que apresenta paralelismo com o Salmo 104. As hipóteses de que o monoteísmo israelita seja devedor do monoteísmo da Reforma de Akehnaton hoje são desconsideradas: ontologicamente, Aton e Yahweh possuem atributos distintos.

Personagens importantes da história egípcia — Akhenaton, Nefertiti, Tutankhamon– viveram no período de Amarna.

BIBLIOGRAFIA

Cohen, R. Amarna Diplomacy. John Hopkins University Press, 2002.

LeMon, Joel M. “Egypt and the Egyptians” em Arnold, Bill T. and Brent A. Strawn eds. The World Around the Old Testament: The Peoples and Places of the Ancient Near East. Grand Rapids: Baker, 2016.

Moran, W.L. The Amarna Letters. John Hopkins University Press, 1992.

Pritchard, James B., ed., The Ancient Near East – Volume 1: An Anthology of Texts and Pictures, Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 1958

The Amarna Project