Efraim

Efraim foi (1) um dos filhos de José e Asenate; (2) a meia-tribo de seus descendentes; (3); nome nome alternativo (às vezes referido como Samaria) para o reino do norte de Israel, localizado na região na região montanhosa central ao norte de Jerusalém.

Em Efraim situa-se Siquém, Siló e Betel, bem com os montes Ebal e Gerezim.

Exílio babilônico

O Exílio na Babilônia ou o Cativeiro Babilônico foi a detenção forçada de judeus na Mesopotâmia após a conquista do reino de Judá entre 598-539 a.C.

As deportações, exílio ou cativeiro eram uma política emigração forçada na antiguidade. Essa política era empregada em larga escala para fins políticos, seja para aniquilar um povo, repovoar alguma região estratégica ou para fundir várias nacionalidades.

A primeira deportação de líderes e povo de Judá ocorreu em 598/7 a.C., mas depois de uma revolta e destruição de Jerusalém ocorreu outra deportação em 587/6 a.C.

Entre 10 mil e 30 mil pessoas foram deportadas e estabeleceram em vários locais ao sul da Mesopotâmia. Esses eventos são registrados em 2 Re 24:8-12 e nas Crônicas de Nabucodonosor.

A literatura bíblica — como muitos salmos, Lamentações, Ezequiel e Daniel — registra o período do exílio, bem como o apócrifo Tobias e os arquivos da comunidade dos judeus em Al-Yahud.

A vida religiosa e cultural dos judeus foi preservada. Surgiu uma reflexão para entender os acontecimentos, além de um apego de muitos exilados a um estrito monoteísmo que interpretava suas sortes como consequência de desobediência coletiva ao culto a Deus. Um santuário existia em Casífia (Ed 8:17), talvez antecedendo a formação das sinagogas.

O cativeiro terminou formalmente em 538 a.C, quando o conquistador persa da Babilônia, Ciro, o Grande, deu aos judeus permissão de retorno. Até então, muitos israelitas tinham ficado no território do antigo Israel e Judá, além dos que deixaram a Babilônia em vários momentos. Apesar do decreto de Ciro (não relacionado com seu famoso cilindro), alguns judeus escolheram permanecer na Babilônia, formando a Diáspora israelita.

FONTES EXTRABÍBLICAS

Crônicas de Nabucodonosor (c550-400)

Tabuletas de Al-Yahudu (572-477)

Tabuletas de Murashu (c530)

Enuma Elish

O Enuma Elish é um épico da criação de deuses e do mundo registrado. Teria sido grande épico nacional da cidade de Babel ou Babilônia, com uso em cerimônias cívico-religiosas.

O poema retrata a criação pela batalha cósmica contra o caos (Chaoskampf), criação por comando divino e pela ação divina.

As tabuletas da versão-padrão remontam do século VII a.C., encontradas na biblioteca do rei assírio Assurbanipal (668-627 a.C.). Contudo, supõe-se que o texto fora fixado na segunda dinastia acadiana de Isin, na época de Nabucodonosor I (1124-1103 a.C.). As sete tabuletas corresponderiam a sete cantos que originalmente teriam 1.100 versos. A primeira versão contemporânea do texto foi publicada em 1876 pelo célebre estudioso das literaturas cuneiformes, George Smith.

Epopeia de Gilgamesh

A epopeia de Gilgamesh é uma obra épica poética mesopotâmica que retrata a busca pela imortalidade por Gilgamesh, lendário rei de Uruk.

Compostos como contos orais dos sumérios, mais tarde foram fixados em textos cuneiformes em tabuletas de argila. A versão mais conhecida foi produzida pelo escriba Sin-Leqi-Unninni entre os séculos XIII e X a.C. em acádio.

O épico de Gilgamesh fazia parte do treinamento dos escribas. Talvez por essa razão haja tantas cópias e variações. Essas tabuletas foram encontradas nas bibliotecas e escritórios de copistas em Emar, Ugarit, Megiddo e Bogazkoy, cidades antigas da Crescente Fértil e da atual Turquia. O exemplar de Megido, datado do século XIV a.C., possibilita que os hebreus tivessem conhecimento desse épico há muito tempo antes do exílio babilônico.

Alguns paralelos bíblicos famosos são a versão do dilúvio de Ut-Napishtim, uma planta da vida e uma serpente astuta.

BIBLIOGRAFIA
Alves, Leonardo M. A Epopeia de Gilgamesh, Ensaios e Notas, 2018.

Sin-léqi-unnínni. Ele que o abismo viu: a epopeia de Gilgámesh. Tradução de Jacyntho Lins Brandão. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2017.

Epístolas da prisão

As Epístolas da Prisão referem-se a quatro cartas do Novo Testamento atribuídas ao Apóstolo Paulo: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filémon.

Compostas durante o aprisionamento de Paulo — provavelmente em uma prisão domiciliar em Éfeso, Cesareia ou Romas — são cartas de encorajamento, instrução e breves considerações teológicas.

Apesar do confinamento de Paulo, as suas palavras inspiradas transmitiam liberdade espiritual, abordando vários aspectos da vida e dos relacionamentos cristãos.

As cartas transmitem um tom pastoral, pois Paulo oferece encorajamento, exortação e orientação aos seus destinatários. O investimento pessoal de Paulo na vida de seus destinatários é evidente. Nesses escritos aborda situações, indivíduos e preocupações específicas dentro de cada comunidade. Embora sejam de natureza doutrinária, as cartas também oferecem conselhos práticos para a vida cristã diária, abordando questões relevantes para as comunidades para as quais foram escritas.

Efésios destaca a natureza da Igreja e a sua unidade. Filipenses enfatiza a alegria em Cristo em meio à adversidade. Colossenses exalta a supremacia de Cristo e aborda falsos ensinamentos. Filémon defende o perdão e a reconciliação, numa situação envolvendo um escravo fugitivo.

Os temas comuns entre as Epístolas da Prisão incluem:

  1. Supremacia de Cristo: Cada carta enfatiza a preeminência de Cristo como figura central da fé cristã, destacando seu papel na criação, na redenção e como cabeça da Igreja.
  2. Unidade Cristã: Paulo sublinha a importância da unidade entre os crentes, exortando-os a manter a harmonia e a comunhão dentro da Igreja.
  3. Alegria em Meio à Adversidade: Apesar da prisão de Paulo, as cartas exalam uma sensação de alegria e contentamento em Cristo, enfatizando que a verdadeira felicidade transcende as circunstâncias externas.
  4. Vida Cristã: orientações práticas para viver a fé cristã, incluindo instruções sobre humildade, auto-sacrifício, perdão e conduta ética.
  5. Combate ao falso ensino: Paulo confronta várias formas de falso ensino e exorta os crentes a permanecerem firmes na verdadeira mensagem do evangelho, enraizada na pessoa e na obra de Jesus Cristo.