Cleopas foi um seguidor de Jesus que se encontrou com ele na estrada para Emaús (Lc 24:18). Talvez seja o mesmo Clopas mencionado como marido de uma das Marias que estavam junto à cruz (Jo 19:25 ).
Categoria: Dicionário Bíblico
Naram-Sin
Naram-Sin (c2254–2218 a.C.), rei de Acade. Autoproclamado deus de Acade e rei dos quatro cantos do mundo era neto de Sargão, o Grande (reinado de 2334 a 2279 aC). Vários artefatos arqueológicos e obras literárias registram sua belicosidade e atitude desafiadora ante os deuses, o que levaram a muitos verem paralelos com Ninrode (Gn 10:8-9) e com Jó.
A Estela da Vitória de Naram-Sin (c2254–2218), esculpida em um bloco de quase 2 m de calcário rosa, retrata o rei Naram-Sin liderando o exército acadiano na vitória sobre Lullubi, um povo das Montanhas Zagros.
A inscrição de Naram-Sin ou Estátua de Bassetki aparece no pedestal de uma estátua de cobre, representando uma figura masculina agachada de um monstro lahmu sem a parte superior do corpo. A estátua foi encontrada em 1975 perto de Bāṣetkī, atual Iraque. Depois que Naram-Sin repeliu uma grande revolta contra seu governo, os habitantes da cidade de Acade pediram aos deuses que fizessem de Naram-Sin o deus de sua cidade, e que construíssem um templo para ele no meio da cidade.
A Madição de Acade conta a história da destruição dessa cidade pelos deuses devido à impiedade de Naram-Sin. Discorre sobre problema do sofrimento sem sentido. O rei Naram-Sin tenta de arrancar dos deuses uma razão para sua miséria.
Este poema épico datado da Terceira Dinastia Ur (2047-1750) prertence ao gênero “literatura naru”, no qual a uma pessoa famosa (geralmente um rei) é o protagonista para representar a humanidade diante dos deuses.
Depois de os deuses boicotarem sem motivos suas bênçãos a Acade, Naram-Sin não consegue descubrir qual transgressão incorreu no desagrado divino. Depois de buscar em vão por sinais e presságios, fica em uma depressão por sete anos enquanto espera por uma resposta. Finalmente, cansado de esperar e enfurecido por não ter resposta, Naram-Sin marcha com seu exército contra o templo de Enlil em Ekur, na cidade de Nipur, o qual ele destrói. Em represália, Enlil envia os guti, um povo bárbaro, para pilhar Acade em punição.
PARALELOS BÍBLICOS
Dentre os paralelos temáticos com a literatura bíblica o corpus de Naram-Sin apresenta um rei que arrogantemente se considera divino, a discussão com seres divinos pela razão do sofrimento sem causa, um povo enviado para punição nacional.
BIBLIOGRAFIA
Abdul-Hadi Al-Fouadi, “Bassetki Statue with an Old Akkadian Inscription of Naram-Sin of Agade (B.C. 2291-2255). Sumer 32 (1976). Pl. ?. DS 67 S76 v. 32, 1976.
Black, J. The Literature of Ancient Sumer. Oxford University Press, 2006.
Mesopotâmia
A Mesopotâmia é a terra dividida pelos rios Tigre e Eufrates. Localiza-se nas nações atuais do Iraque, Síria, Turquia, Kwaite e Irã.
Na Bíblia aparece em hebraico אֲרַ֥ם נַֽהֲרַ֖יִם, como Aram Naaraim (lugar alto entre dois rios) ou em grego Μεσοποταμία (terra entre rios) em Gn 24:10; Dt 23:4; Jz 3: 8; 1 Cr 19: 6; na sobrescrição do Sl 60; Jz 3:10 (subentendido); At 2:9; 7:2.
HISTÓRIA
A civilização mesopotâmica surgiu ao longo das margens dos rios Tigre e Eufrates, em uma área plana, cujas inundações depositavam sedimentos ricos em nutrientes, continha terras pantanosas e repletas de peixes e aves. Nessa região rica, a concentração de pessoas leva à fundação de primeiras cidades nas quais viviam pessoas com atividades não diretamente relacionadas com a produção de alimentos.
Por volta de 3200 a.C. o povo sumério desenvolveu uma sociedade urbana, abastecida por agricultura de cereais e suprida pelo comércio. Entre eles emergiu a escrita cuneiforme para fins contábeis, surgindo primeiros textos como os quirógrafos (recibos) escritos em tabuletas de argila.
Nessas cidades, desenvolveram tijolos queimados ao fogo entre 3500–3100 a.C., época em que começaram usar o betume como liga. Por volta do ano 3000 a.C. passaram a utilizar a roda com eixo para transportes. A tecnologia de alvenaria permitiu que a cultura mesopotâmica fizesse construção monumentais, mas a lenha para queima dos tijolos permanecia escassa, sendo mais comuns os tijolos secos ao sol.
Os mesopotâmicos construíram seus edifícios sobre os restos de outras construções. Analogamente, sobre o mesmo território uma sucessão de povos foram hegemônicos: sumérios, acadianos, guti, renascimento sumério (Uruk III), assírios, Mari, amoritas, hurritas, hititas, elamitas, caldeus ou neobabilônicos, persas, gregos, romanos, partas e árabes.

Cronologia do surgimento da civilização
Uma linha do tempo das principais marcas pré-históricas do Antigo Oriente Próximo.
20.000-12.000 a.C.A cultura Kebarana, descoberta em sítios arqueológicos como o Monte Carmelo, em Israel, e a caverna Kebara, que dá nome à cultura, representa um marco na evolução cultural do epipaleolítico no Levante. Os Kebarianos eram caçadores-coletores nômades, especializados na caça de gazelas e outros animais, utilizando ferramentas de pedra lascada avançadas, como lâminas e pontas de projéteis finamente trabalhadas. Viviam em cavernas e abrigos rochosos, construindo fogões e estruturas simples para proteção contra o clima. A descoberta de sepultamentos intencionais, como na cultura Kebarana, demonstra a adaptabilidade e a capacidade de inovação dos humanos.
18.000-10.000 a.C. A cultura Mushabiana, identificada em sítios arqueológicos como Wadi Kubbaniya, no Alto Egito, representa uma das primeiras adaptações humanas às condições áridas do Norte da África. Caracterizada por uma economia baseada na caça, pesca e coleta de plantas selvagens, a cultura Mushabiana demonstra um estilo de vida semi-sedentário, com habitações em cavernas e abrigos rochosos, além de acampamentos a céu aberto. Os Mushabianos desenvolveram ferramentas de pedra lascada especializadas, como pontas de projéteis e lâminas de foice, utilizadas para processar plantas e animais. A presença de contas e pingentes sugere o desenvolvimento de expressões simbólicas e ornamentação pessoal. Embora ainda não praticassem a agricultura, os Mushabianos já demonstravam um conhecimento do ambiente e dos recursos naturais disponíveis.
13.050-7.750 a.C. – No Levante, a cultura Natufiana floresce em resposta à crescente desertificação. Esses povos semi-sedentários, abrigando-se em cavernas e acampamentos como a Caverna de Shuqba (onde a cultura foi primeiramente identificada), desenvolveram técnicas de colheita de grãos selvagens para produção de pão e cerveja, além da caça de gazelas. Domesticavam cães e demonstravam hierarquização social em seus cemitérios. A escultura dos “Amantes de Ain Sakhri” (9.000 a.C.), encontrada na caverna de Ain Sakhri (Belém), é um exemplo da arte Natufiana.
10000 a.C. Mudanças climáticas iniciam a desertificação da Arábia e do Sahara. As populações respondem com maior mobilidade e estabelecendo-se em oásis. A pressão para garantir a subsistência com poucos recursos força o crescimento de complexidade social e o início de atividades econômicas contínuas no pastoralismo e agricultura.
9.700-8.600 a.C. A cultura Khiamiana floresceu no Levante durante o Neolítico Pré-Cerâmico A (PPNA), marcando um passo na transição para sociedades agrícolas e sedentárias. Seu nome deriva do sítio arqueológico de El Khiam, na Jordânia, onde foram encontradas as distintivas pontas de flecha “El Khiam”. Os Khiamianos construíam aldeias com casas circulares de pedra, e sua economia combinava a caça e a coleta com o cultivo de cereais como trigo e cevada. A descoberta de moinhos de mão e foices indica o processamento de grãos para alimentação. Embora ainda não produzissem cerâmica, os Khiamianos fabricavam recipientes de pedra e utilizavam instrumentos de osso e madeira.
9000 a.C. Em uma planície no norte da Mesopotâmia em uma região que é hoje Turquia floresceu o centro cerimonial de Göbekli Tepe (10.000-8.000 a.C.). Este seria o templo mais antigo encontrado, composto de monumentos megalíticos em formato de T, decorado com alto relevo de animais e figuras humanas. O espantoso é que essa população não praticava a agricultura, não conhecia a cerâmica, os metais ou a roda. As ricas fauna e flora eram suficientes para manter essa população semi-urbana, sendo comparável ao Jardim do Éden.
8800 a.C. No neolítico inicial (pré-cerâmico) a agricultura de aveia e trigo desenvolve-se na Crescente Fértil, com centros urbanos em em Byblos, Gilgal (ambas nas costas da Fenícia) e Tell es-Sultan (Jericó). Nesse último local, foi erguida uma torre e um muro ao redor da cidade. Mais tarde, em Tell Aswad, no sul da Síria, passou-se a construir casas de adobe, utilizar lâminas de obsidiana, moldar figuras em argila, produzir cestos e a domesticação de animais.
7500 a.C. O centro cerimonial de Nabta Playa, no Deserto da Núbia, a leste do Nilo, contém vestígios de sacrifícios de animais e de monumentos para a observação astronômica.
O sítio arqueológico de Uan Muhuggiag, na Líbia, possui evidências de ocupação desde o sexto milênio a.C. até 2.700 d.C., com a múmia Tashwinat encontrada no local data de cerca de 3500 a.C.
6500-3800 a.C. No Período Ubaid a agricultura e a domesticação de animais intensificam no sul da Mesopotâmia. Nas várias vilas há o trabalho coordenado de irrigação e avanço da cerâmica. Passam a usar tijolos secos ao sol. Outras culturas quase contemporâneas e semelhantes na região são as de Samarra, Halaf e Hassuna, nesta última se inicia a fundição de cobre. Houve uma crescente complexidade social e o surgimento de elites.
4500 a.C. Difusão da metalurgia (cobre) no Oriente Médio e Anatólia. A mineração de cobre em Timna, no deserto do Negebe, iniciou-se por volta de 5500 a.C. e durou até o século I d.C.
4000 a.C. A desertificação do Saara e de áreas na Arábia próximas à Mesopotâmia, Síria e Canaã levam a uma pressão para habitar em sociedades urbanas, com a produção especializada de alimentos, surgindo o comércio e a redistribuição de víveres nos templos que funcionavam como proto-estados.
4000-3100 a.C. Na Mesopotâmia surge a civilização de Uruk I (pré-literária), com cidades-estados, templos, estratificação social, uso de sinetes (bullae) com pictogramas que evoluíram para a escrita.
3300–1200 a.C. Início da Idade do Bronze. A liga de cobre e estanho permitiu desenvolver ferramentas mais duras, ampliando a agricultura e o início da militarização. Comércio de longo alcance liga a Ásia, Europa e África.
1200–520 a.C. Idade do Ferro. Intensifica o comércio. Disseminação da escrita fenícia (canaanita). Formação dos pequenos estados arameus e levantinos. Expansionismos egípcio, assírio e babilônico.
Línguas bíblicas
A maior parte da Bíblia foi escrita em hebraico, alguns trechos em aramaico e o Novo Testamento em grego koiné. As duas primeiras línguas descendem do Proto-Semítico, um conjunto de dialetos que teria sido falado entre 3750 e 2800 a.C., constituindo um ramo do Proto-Afro-Asiático, outro proto-língua que foi falada entre 16.000 e 10.000 a.C., provavelmente no noroeste da África. Por sua vez, o grego descende do Proto-Indo-europeu, o qual foi falado por pastoralistas que viviam próximo ao Mar Negro entre 4500 e 3500 a.C. Outras línguas indo-europeias com relevância bíblica são o hitita (provavelmente os mesmos heteus bíblicos) e o persa.
