Ingrid Løkken Chawner

Ingrid Løkken Chawner (1899-1976) foi uma missionária norueguesa em Moçambique.

Nascida em Vestfossen, no centro sul da Noruega. Converteu-se na cidade de Horten e estudou no Instituto Bíblico em Oslo. Em 1920 partiu para os Estados Unidos, onde ficaria dois anos. Em 1922 foi enviada para a África do Sul pela Evangelisalen Berøa, uma congregação independente em Oslo formada pela fusão de uma assembleia dos irmãos e uma igreja livre de cariz luterana. Nessa época, Ingrid teria abraçado o pentecostalismo.

Em 1929 Ingrid esteve em Portugal, provalvemente para aprender o idioma e obter os documentos necessários para a viagem missionária a Moçambique.

Ingrid estabeleceu e desenvolveu sua missão entre os tsongas no sul de Moçambique. Algo inusitado para a época, a jovem missionária morava entre os habitantes locais e viajava de aldeia a aldeia com uma motocicleta ou “um cavalao de aço”. Recebeu o nome de Nkosazana, que em língua xhosa significa princesa. Em 1935 já havia 14 igrejas estabelecida e Ingrid estabeleceu a primeira escola bíblica pentecostal para formação de obreiros no mundo lusófono.

Casou-se no final de 1934 com o missionário da Assembleias Pentecostais Canadenses Charles Austin Chawner (1903-1964), filhos de missionários na África do Sul. No ano seguinte, o casal visitou os Estados Unidos. Em 1942 nasceu a filha, chamada também Ingrid e em 1944 o filho Stanley.

Como o esposo teve sua entrada barrada em Moçambique, o casal estabeleceu-se em Transvaal, evangelizando migrantes tsongas que vinham trabalhar nas minas da região. Mais tarde, o casal plantou uma igreja em Gijani, uma das primeiras congregações pentecostais em Moçambique.

No final do anos 1940, devido às pressões das autoridades coloniais, deixaram o país. Na época havia cerca de 200 igrejas oriundas de sua missão. Atualmente, elas formam a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Moçambique.

Hoje, o Centro Juvenil Ingrid Chawne em Maputo recebeu seu nome e além de receber auxílio de igrejas pentecostais norueguesas.

BIBLIOGRAFIA

Chawner, Ingrid Løkken. Nkosazana : The King’s Daughter. 1936.

Chawner, Ingrid Løkken. African jewels. Toronto, ON, Canada : Testimony Press, 1962.[Jungel-juveler].

Frodsham, Stanley H. With signs following. Springfield: Gospel Publishing House, 1946.

Upton, George R. The miracle of Mozambique. Clearbrook, BC, Canada : A. Olfert & Sons, 1980.

Norsk pinsebevegelse har skrevet misjonshistorie i Mosambik

Laodiceia

Laodiceia foi uma próspera cidade comercial na região da Frígia, no noroeste da Ásia Menor. Era vizinha das cidades de Colossos e Hierápolis (Col 2:1; Col 4:13-16), ficavam neste mesmo vale do rio. Modernamente, o sítio arqueológico situa-se perto da cidade de Denizli, Turquia

No reinado de Nero (60 d.C.) um terremoto destruiu completamente a cidade. Os habitantes recusaram a ajuda imperial para reconstrui-la e a restauraram com um estilo grego.

Havia uma considerável comunidade judia nessa região da Frígia. Antíoco III, o Grande, transportou 2.000 famílias judias da Babilônia para a Frígia. Cícero registra que Flaco confiscou 9 quilos de ouro destinado anualmente ao templo de Jerusalém (Pro Flacco 28-68). O martírio do judeus Lulianos e Pafos, registrado no Talmude, possivelmente aconteceu lá. Um alvará dos magistrados laodicenses autorizava os judeus observarem o sábado e seus outros ritos, de acordo com a injunção de Caio Rubílio. (Josefo Antiguidades Judaicas, XIV. X. 20)

A primitiva igreja reunia-se provavelmente na casa de Ninfa. Epafras, retratado como um dos companheiros de Paulo, aparentemente foi pioneiro das igrejas nas três cidades (Cl 4:12-13). De acordo com Col 4:16, Laodiceia correspondeu com Paulo, mas a epístola de Laodiceia não sobreviveu até nós.

A igreja de Laodiceia foi uma das sete repreendidas em Apocalipse (Ap 3:14-22).

Alguns manuscritos aparecem no final de 1 Timóteo “Escrita de Laodiceia, metrópole da Frígia de Pacatiana”.

Sínodo de Laodiceia

Entre 342 e 380 (provavelmente por volta dos anos 363 e 365) ocorreu o Sínodo de Laodiceia, reunindo cerca de trinta clérigos da Ásia Menor. Se situado na décadade de 360, este concílio de Laodiceia seria uma reação contra o reinado de Juliano, o apóstata, quando as condições políticas à cristandade foram desfavoráveis. Este sínodo marca um início de imposição doutrinária hierarquizada e autoritária.

As principais preocupações do concílio envolviam a regulamentação da conduta dos membros da igreja. Entre seus sessenta cânones condena hereges (cânones 6–10, 31–34, 37), judeus (cânones 16, 37–38) e pagãos (cânone 39). Vedou
a guarda do sábado e incentivando o descanso no domingo (cânon 29). Normatizou litúrgicas (cânones 14–20, 21–23, 25, 28, 58–59). Impôs restrições durante a quaresma (cânones 45, 49–52). Bane as presbíteras, ágapes nas igrejas, força a separação com os judeus e outros cristãos. Proibe o acesso das mulheres ao altar. Impõe uma hierarquia interna.

Seus cânones 59 e 60 discorrem sobre o cânon bíblico, embora a autenticadade do cânon 60 seja duvidável. Esse cânone falta em vários manuscritos gregos e esta ausente na versão latina dos cânones, além da lista ser igual à de Cirilo de Jerusalém.

“59. Nenhum salmo composto por particulares nem quaisquer livros não canônicos podem ser lidos na igreja, mas apenas os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento.”

“60. Estes são todos os livros do Antigo Testamento designados para serem lidos: 1, Gênesis do mundo; 2, O Êxodo do Egito; 3, Levítico; 4, Números; 5, Deuteronômio; 6, Josué, filho de Num; 7, Juízes, Rute; 8, Ester; 9, Dos Reis, Primeiro e Segundo; 10, Dos Reis, Terceiro e Quarto; 11, Crônicas, Primeiro e Segundo; 12, Esdras, Primeiro e Segundo; 13, O Livro dos Salmos; 14, Os Provérbios de Salomão; 15, Eclesiastes; 16, O Cântico dos Cânticos; 17, Jó; 18, Os Doze Profetas; 19, Isaías; 20, Jeremias e Baruque, as Lamentações e a Epístola; 21, Ezequiel; 22, Daniel.

“E estes são os livros do Novo Testamento: Quatro Evangelhos, segundo Mateus, Marcos, Lucas e João; Os Atos dos Apóstolos; Sete epístolas católicas, a saber, uma de Tiago, duas de Pedro, três de João, uma de Judas; Catorze Epístolas de Paulo, uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, uma aos Hebreus, duas a Timóteo, uma a Tito, e outro a Filemom.”

Notoriamente, não lista o Apocalipse e inclui 1 e 2 Esdras, Baruque e a Epístola de Jeremias.

Leitura Mântica

A leitura mântica é uma prática de leitura que consiste em abrir aleatoriamente a Bíblia para encontrar inspiração, resposta ou conforto em um versículo específico. Esta prática popular, conhecida também como sortes biblicae, sustenta uma abordagem sincrônica da leitura bíblica, em que o contexto histórico do texto é considerado irrelevante, e busca uma recepção imediata, sem a necessidade de replicar interpretações ou aplicações teológicas tradicionalmente associadas ao texto.

Características da Leitura Mântica

  • Sincronicidade: O foco está na interpretação imediata, desconsiderando o contexto original.
  • Inspiração instantânea: Busca-se uma mensagem direta e aplicável ao momento presente.
  • Estímulo à memorização: Comumente praticada em momentos de dúvida, a leitura mântica contribui para a retenção e associação de trechos bíblicos a questões pessoais.

Problemas Associados

  • Superstição: A prática pode se aproximar de formas supersticiosas de adivinhação, as quais são condenadas nas Escrituras (cf. Deuteronômio 18).
  • Responsabilidade e Ética: Atribuir ao acaso, ou a Deus, a resolução de problemas pessoais sem reflexão mais profunda pode projetar uma imagem simplificada da relação divina com os fiéis.
  • Descontextualização: Ao ignorar o contexto histórico e teológico, essa prática oferece interpretações que podem ser distorcidas em relação ao sentido plausível do texto.

Raízes e Desenvolvimento

A leitura mântica encontra raízes em tradições pietistas, especialmente entre alemães e escandinavos, onde surgiram as “caixinhas de promessas” — caixas com versículos bíblicos que se consultam aleatoriamente para obter orientação.

Um exemplo icônico dessa prática é narrado nas Confissões 8.12.29 de Agostinho de Hipona, quando, em um momento de desespero, ele interpretou o cântico infantil “toma e lê” como um chamado divino. Ao abrir a Bíblia, leu Romanos 13:13, que desencadeou uma profunda transformação espiritual. Contudo, o próprio Agostinho mais tarde desaconselharia essa prática, considerando-a preferível à adivinhação, mas inferior à busca de entendimento contextual das Escrituras (Epístola 55.20.37).

Às vezes, as pessoas anotava as questões ou as interpretações (hermeneia) de suas causas nas margens dos livros. O Codex Bezae é um exemplar possui várias dessas hermeneia.

A leitura mântica encontrou resistência oficial em diversos períodos. Sínodos do século IV e V a condenaram. Carlos Magno a proibiu em 789 d.C., sob o Duplex Legationis Edictum 2, que proibia consultas mânticas de qualquer tipo: “Concernente inquirições por meio de tabelas e livros, e que ninguém presuma que [possa] lançar sortes no Saltério ou no Evangelho ou em outras coisas, ou realizar adivinhações.”

No século XV, os morávios, um grupo pietista com origens hussitas, empregraram amplamente a leitura mântica. Eles consultavam a Bíblia para decisões importantes, como casamentos, ordenações e missões, acreditando que essa prática ajudava a manter a unidade da comunidade. Ainda hoje, o devocional diário Losungen, utilizado pela comunidade, é composto por versos selecionados aleatoriamente em um evento anual.

Com a ascensão do humanismo e do Iluminismo, a prática foi criticada pela sua falta de racionalidade, embora permaneça presente na religiosidade popular. John Wesley, por exemplo, utilizou a leitura mântica em 1775, durante uma grave doença, interpretando uma passagem de 2 Reis 20:6 como sinal de sua recuperação. Essa prática perdura em grupos pietistas e anabatistas, que utilizam textos aleatórios para pregações, acreditando ser uma forma de evitar influências externas e assegurar a pureza do sermão.

Apesar de suas raízes populares, a leitura mântica contribuiu para o desenvolvimento hermenêutico ao incentivar a distinção entre interpretação e aplicação, bem como a relação entre o texto sagrado e a experiência pessoal. Os puritanos empregavam largamente esse método. Como viam esses textos como profeciam, partiram para o inverso: encontrar sinais na história e na vida pessoal que relacionassem com  textos bíblicos. Assim, As leituras historicistas também são associadas com comunidades interpretativas que aceitam essa prática. Comunidades que adotaram esse método desenvolveram formas de atribuir significado a passagens específicas de forma adaptada ao cotidiano, explorando novas dimensões da interpretação bíblica.

Bibliografia

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Leia

Leia ou Lia, em hebraico לֵאָ֔ה e em grego Λεία, era irmã mais velha de Raquel, filhas de Labão (Gn 29:16). Aparece em Gn 29-31 dentro do ciclo de Jacó em relação de disputa com sua irmã.

O significado de seu nome é incerto. É especulado que signifique impaciente ou seja cognato do acadiano littu, vaca selvagem.

Leia é descrita como de olhos ternos, talvez implique em estrabismo (Gn 29:17). Ela foi contrastada com sua irmã que era bonita.

Jacó se enamorou por Rachel e sujeitou-se a sete anos de servidão para pagar o preço da noiva. No entanto, Labão enganou Jacó para se casar com Leia (Gn 29:23-24). Depois, Jacó concordou em trabalhar mais sete anos para ter Raquel como segunda esposa. Assim, Leia foi a primeira esposa de Jacó, de quem também era prima, pois sua mãe, Rebeca, era irmã de Labão (Gn 29:12-13).

Teve quatro filhos com Jacó: Rubem, Simeão, Levi e Judá. Mediante sua serva Zilpa foi mãe de mais dois: Gade e Asser (29:32; 30:10, 12).

Enquanto foi enterrada perto de Belém, Leia foi sepultada em Macpela, onde Jacó seria sepultado (49:31).

A única menção a Leia fora de Gênesis ocorre em Rute 4:11, no qual Leia é celebrada como uma das que edificaram a casa de Israel.

E todo o povo que estava na porta e os anciãos disseram: Somos testemunhas; o Senhor faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Leia, que ambas edificaram a casa de Israel; e há-te já valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém.

BIBLIOGRAFIA

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CHWARTS, Suzana. “Dá-me filhos senão estou morta: a concepção na Bíblia Hebraica.” Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG 2.2 (2008):135-138.

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STARR‐MORRIS, Ashley. “Leah and Hagar.” Cross Currents (New Rochelle, N.Y.) 69, no. 4 (2019): 384-401.