Epístola de Tiago

A fé no evangelho ocorre de modo embutido nas boas obras para com o próximo.

Epístola destinada a um público cristão geral, sua autoria é creditada a Tiago, o qual é interpretado como o irmão do Senhor e líder da Igreja em Jerusalém.

O historiador Eusébio observou que esta epístola teve lenta aceitação no cânon cristão, apesar do fato de ter um uso regular em muitas igrejas (Hist. Ec. 2.23; 3.25). O Cânon Muratoriano (final do século II) não menciona Tiago, mas a carta foi incluída nos cânones do bispo Atanásio (c. 367 d.C.). Sua canonicidade manteve-se então amplamente estável até a Reforma Protestante, quando Martinho Lutero a moveu (junto com Hebreus, Judas, e Apocalipse) até o final do Novo Testamento na seção chamada de Antilegômena. Segundo Lutero, faltavam elementos essenciais do evangelho e sua mensagem contrastava com outros escritos do Novo Testamento. Contudo, a epístola de Tiago continuou no cânon luterano.

A homília chamada de Primeiro Clemente (c. 95 d.C) é o primeiro documento a utilizar extensivamente esta epístola. Essas alusões são visíveis ao comparar 1 Clem 30.3; 31.2 e Tg 2:14–26; 1 Clem 29.1; 30.1–5 e Tg 4:1–10.

Seu gênero epistolar segue o padrão de outras cartas do Novo Testamento. A introdução é seguida por vários temas específicos: consistência da palavra e ação (1:22-2:13); fé e obras (2:14-26); moderação no falar (3:1-18); relações com os outros e com Deus (4:1–12); e o julgamento vindouro (4:13-5:9). Conclui (5:10-20) com breves exortações sobre as responsabilidades dos destinatários para com outros membros da congregação.

A epístola de Tiago é recepcionada de forma que não faz jus ao seu valor. Frequentemente é contrastada com Paulo em um debate sobre a justificação ou como reação do cristianismo judaico contra a igreja gentia. Na realidade, há poucos paralelos entre Tg 2:14-26 e os ensinos de Paulo sobre os temas da justificação “pela fé sem as obras” (cf. Rm 3.28). Em comum há o uso de Abraão como exemplo em Rm 4:1-25 e Tg 2:20-24. Ambos veem a fé principalmente como confiança em Deus (Rm 4:5; Tg 1,5-6). Ambos concordam que a fé deva produzir obras na vida de uma pessoa (Rm 2,13; Fp 2,12-13; Tg 2,18). No entanto, nem as questões de justificação, nem as relações entre judeus e gentios dentro da igreja são temas do conteúdo desta epístola como um todo.

Epístola aos Colossenses

Nessa epístola paulina a identificação do crente com a morte em Cristo serve de advertência contra erros legalistas (Colossenses 2:8).

INTRODUÇÃO

Não há registros que Paulo tenha então estado em Colossos. É provável que a autoridade do apóstolo foi requisitada para resolver problemas doutrinários. Saber especificamente quais seriam os problemas da igreja em Colossos permanece um mistério, mas são certos que incluíam elementos de misticismo, legalismo, asceticismo e formalismo ritual.

Há semelhanças notáveis ​​com a epístola aos Efésios. Ambas cartas foram direcionadas à mesma região na Ásia menor (Colossos está cerca de 100 km de Éfeso). Ambas enfocam o senhorio de Cristo e já retratam os crentes com co-participantes de seu domínio e ambas possuem a Haustafeln (regras de convívio familiar). Em contraste, Efésios há uma ênfase na Igreja como o corpo de Cristo, enquanto em Colossenses a ênfase está em Cristo como a cabeça desse corpo.

Em uma leitura sob a perspectiva da Hausftafeln de ambas epístolas dá a entender que a comunidade de cristãos seria a Casa de Cristo. No Mediterrâneo da Antiguidade Clássica, um pater familias ou patrono morava em vilas e tinha um séquito de clientes, servos e parentes. Sua autoridade (domínio) sobre sua casa era absoluta na esfera doméstica.

Em Roma os clientes (pessoas livres, mas com obrigações morais ou econômicas), não importava o quanto rico ou poderoso fosse, tinha que prestar homenagem, se possível diariamente, na casa do patrono. A amicitia (amizade) era um tipo de relacionamento que somente ocorria entre iguais, nunca entre um patrono e cliente, senhor e servo. As relações eram tensas quando os clientes e servos por vezes tinham mais meios que os senhores. E muitos senhores tinham comportamentos não muito apreciáveis.

Tanto Colossenses e Efésios retratam uma relação de amor e fé dentre os membros da Casa de Cristo. Portanto, a relação interna da Casa não deveria ser por obrigação, aparência, como sicofantas (fazer obras para ganhar favor do Senhor), mas centrada em uma fé livre.

Na Epístola aos Colossenses, o apóstolo Paulo aborda a dinâmica entre maridos e esposas, empregando particularmente o termo ὑποτάσσω, hypotassō, algo como “estar sob a proteção” no que diz respeito ao relacionamento das esposas com seus maridos. No entanto, este termo contém nuances que vão além da mera autoridade hierárquica. Em vez disso, transmite a noção de acordo mútuo, em que o marido assume um papel protetor e de apoio semelhante a um abrigo ou escudo para a esposa. No contexto da sociedade greco-romana, caracterizada por estruturas patriarcais e pela necessidade de proteção em ambientes inseguros, tais dinâmicas relacionais não diziam respeito apenas à autoridade, mas também ao cuidado e salvaguarda recíprocos. Portanto, a ênfase está menos na submissão unilateral e mais no serviço e prestação mútuos dentro da unidade familiar.

A recepção teológica dessa epístola varia. A leitura tradicional dos sistemas teológicos agostinianos (luteranos e reformados principalmente) enfoca nessas epístolas o início da Ordo Salutis (a justificação). Já a leitura anabatista enfoca depois da justificação, a vida dos domésticos na fé, cujo senhorio da casa é de Cristo. Nessa perspectiva, a epístola centra-se em Cristo como cabeça e a Igreja como corpo. Assim, os crentes são chamados à santificação, fidelidade a Deus, dissipação de falsas doutrinas e práticas entre os já convertidos.

A posição da epístola no cânon paulino é antiga, classificando-a como uma das epístolas da prisão. Contudo, algumas pesquisas recentes colocam-na entre a antilegômena paulina. Como mencionado Colossenses possui paralelos com Efésios quanto a conteúdo e estrutura. Colossenses 4:9 menciona Onésimo, o escravo de Filémon, dentre outras pessoas também comuns a ambas epístolas.

ESBOÇO ESTRUTURADO

  1. Introdução
    • Saudação – Colossenses 1:1-2
    • Ação de graças pelos crentes em Colossos – Colossenses 1:3-8
    • Oração pela maturidade baseada na preeminência de Cristo – Colossenses 1:9-23
    • O sofrimento e o ministério de Paulo – Colossenses 1:24-29
  2. A vida em Cristo.
    • Cristo, o Mistério de Deus – Colossenses 2:1-5
      • Vivificados em Cristo – Colossenses 2:6-15
  3. Liberdade cristã
    • Não sejam julgados por regras religiosas humanas – Colossenses 2:16-23
      • Buscai as coisas que são de cima – Colossenses 3:1-4
      • Abandonem a conduta antiga – Colossenses 3:5-11
      • Apelo para uma Nova Conduta – Colossenses 3:12-17
      • Responsabilidades mútuas nas relações cristãs – Colossenses 3:18-4:1
      • Conselhos adicionais para a vida cristã – Colossenses 4:2-6
  4. Conclusão
    • Exortações aos colaboradores – Colossenses 4:7-17
    • Saudação final e bênção – Colossenses 4:18

BIBLIOGRAFIA

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Ana

Em hebraico Hannah, חַנָּה, em grego Ἄννα, “graciosa”, refere-se a duas mulheres nas Escrituras.

(1) A mulher que, ansiosa por ser mãe, votou ao Senhor e seu pedido foi concedido com o nascimento de Samuel. (1 Sm 1-2: 21).

Ana é uma das duas esposas de Elcana, da região de Efraim (1Sm 1:1) na fase final do período dos juízes. Mas diferente da outra esposa, Penina, que teve filhos, Ana buscou no Senhor solução para sua esterilidade.

Em uma de suas peregrinações ao santuário de Siló, sua súplica e voto são encarados pelo sacerdote Eli como embriaguez. Ao se informar melhor, o sacerdote dispensou-a em paz. O cântico de Ana é análogo ao de Maria (Lucas 1:46-55) e ambas celebram um nascimento miraculoso e louva a Deus, que faz justiça nesse mundo (1Sm 2:1-10).

(2) Uma profetisa da tribo de Asser .Juntamente com o profeta Simeão, Ana testemunhou a dedicação do menino Jesus no Templo. Regozijou na esperada redenção de Israel (Lucas 2:22-38).

Epístola aos Efésios

Epístola paulina destinada à igreja da cidade de Éfeso, na Ásia Menor. Trata-se de uma exposição sobre o poder da graça imerecida.

Contém uma meditação sobre uma série de temas inter-relacionados centrados na igreja e sua relação com Cristo, e no comportamento cristão dentro da igreja. A unidade da igreja cumpre um plano divino. E essa unidade se manifesta na conduta cristã ordenada.

Esta epístola possui muitos paralelos com a epístola de Colossenses, direcionada à igreja da mesma região e situada cerca de 100 km de Éfeso.

Elefantina

Elefantina é um assentamento em uma ilha no rio Nilo, em frente à antiga Syene, hoje chamada de Gezîret Aswan (a “Ilha de Assuã”) no Alto Egito.

O vasto volume de restos de papiro desde o segundo milênio a.C. até o período árabe faz desse sítio arqueológico uma importante fonte de textos da Antiguidade. Especialmente importante para as ciências bíblicas e história israelita são os 80 papiros em aramaico de uma comunidade judia de mercenários que foi ativa na ilha no Período Persa, entre os século VI a.C. e IV a.C.

Esta comunidade cultuava em um templo dedicado a Yahweh (ao qual chamavam Yahu), ainda que cultuado junto de outras divindades. Não há indícios de terem conhecimento de Escrituras, salvo alguns salmos, nem da tradição do Êxodo ou de uma linhagens sacerdotais. Todavia, possuíam um sacerdócio e celebravam a páscoa. Mantinham correspondência com seus patrícios de Yehud, a província persa da Judeia e Israel, incluíndo as lideranças religiosas de Samaria e Jerusalém

A ILHA DE ELEFANTINA

Na ilha de Elefantina a Fortaleza Yeb era uma guarnição de fronteira localizada na fronteira sul do antigo Alto Egito. Não é referida na Bíblia, mas Syene/Assuã, a cidade próxima na margem, aparece em Ez 29:10; 30:6.

Em 1893, muitos papiros e óstracas em aramaico apareceram, principalmente de Elefantina. Dez anos depois, iniciaram-se as escavações arqueológicas em Elefantina conduzidas pelos franceses (1902); os alemães (1906-1908); os padres do Pontifício Instituto Bíblico de Roma após a Primeira Guerra Mundial; e expedições egípcias (1932 e 1946), revelando o Templo de Khnum (dos séculos IV a II a.C.) e um templo anterior de tijolos de barro, escavado pelos egípcios em 1948. As escavações não produziram evidências conclusivas sobre a localização do Templo de Yahu.

A COLÔNIA JUDAICA

Não está claro quando a colônia judaica começou em Elefantina. Uma inscrição sugere que o templo já existia antes da queda do Egito para os persas em 525 aC, o que o situa em quase um século antes da reconstrução do templo por Esdras. Há quem sugira que a comunidade remonte do final do século VII a.C (cf. Is 19:19).

O templo Elefantina tinha um altar para sacrifícios e holocaustos a Yahweh, a quem chamavam de “Yahu”. No entanto, sua adoração não era totalmente exclusiva e incluía a adoração de outros deuses como Herem Bethel e Anath-yahu. Betel (“casa de Deus”) é visto como uma personificação da casa de El (no céu) e como uma expressão substituta para El (cf. Jr 48:13)

Embora protegida pela ocupação persa, a comunidade Elefantina teve conflitos com os egípcios. As cartas referem a atritos contínuos com os egípcios associados a um templo dedicado à divindade de Khnum.

Em 410 aC, um motim destruiu o templo judeu. Embora os persas eventualmente punissem os egípcios responsáveis, os judeus não conseguiram o dinheiro necessário para reconstruir o templo.

A colônia judaica estava bem estabelecida em Elefantina antes de 525 a.C. é provado pela referência da carta de Bagoas (AP 30) que menciona o templo antes de Cambises invadir o Egito, talvez datando do reinado do Faraó Apries (Hofra de Jr 44:30; 588-566 aC).

A colônia e seu templo duraram até o fim do reinado de Neferitas I (399-393 a.C.). Todavia, um fragmento de cerca do ano 300 a.C. menciona pessoas com nomes judeus (AP 82) e um longo papiro (AP 81) de aproximadamente o mesmo tempo que inclui nomes judeus e gregos e menciona um sacerdote Johanan, sugerindo a presença de um templo. Ainda no século I d.C. é possível que houvesse judeus na área Elefantina (Filo, Flaccus 43).

PAPIROS NOTÓRIOS

  • Amherst Papyrus 21 é uma ordem de Dario II em 419 AEC aos judeus para observarem os Dias dos Pães Ázimos.
  • Papiro TAD A4.1 (a Carta da Páscoa), carta de Hananias, um oficial judeu de Jerusalém ou da Pérsia, para a guarnição judaica e seu líder Jedanaías, fornecendo instruções sobre como realizar a Páscoa. Embora não mencione Betel, Hananias saúda a guarnição judaica em nome dos deuses (plural), o que implica um ambiente politeísta compartilhado;
  • Amherst Papyri 27, 30-34 registram a destruição do templo em Yeb, os esforços infrutíferos dos colonos durante os anos 410-407 AEC para garantir permissão para reconstruí-lo.
  • Amherst Papyrus 30 menciona duas pessoas citadas em Neemias, Sambalate (Ne 2:10; 13:28) indicado como o governador de Samaria; e Joanã (Ne 12:22), filho de Joiada e provavelmente o mesmo a quem Neemias perseguiu (13:28), é mencionado como sumo sacerdote, sendo Bagoas governador de Yehud (Judeia Persa).
  • Amherst Papyrus 63 contém uma versão do salmo 20, escrito em aramaico, mas com escrita egípcia demótica, além de dois outros salmos sem correspondência bíblica.

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