Sobor

Em eslavo eclesiástico sobor съборъ assembleia e sobornost соборность comunhão espiritual de muitas pessoas coexistindo juntas. Este conceito de unidade emergente implica que a Igreja existe como fenômeno supra-individual fundado em uma relação de comunhão de seus membros, especialmente exercidada pela oração.

As ramificações eclesiológicas e teológicas da sobor resultam que um indivíduo sozinho não tenha voz ou legitimidade para modificar a Igreja ou expressar sua doutrina, mas sua dinâmica ou expressão teológica ocorre via sobornost.

VEJA TAMBÉM

Sinodalidade

Comunhão

Sarepta

Em hebraico צרפת, cidade fenícia entre Tiro e Sidom, no atual Líbano. Obadias 1:2 menciona a cidade como limite de Canaã.

No ciclo de Elias Sarepta aparece sujeita a Sidom (1 Re 17:8-24). O profeta encontrou refúgio na casa de uma viúva em Sarepta, a qual multiplicou a farinha e o azeite além de trazer seu único filho a vida. Este perícope é mencionado por Jesus (Lc 4:26) como um exemplo da amplitude de Deus para os não israelitas (gentios).

O local constitue um importante sítio arqueológico, dado a seu relativo status imperturbado. Situa-se próximo à moderna cidade de Sarafand.

BIBLIOGRAFIA

Pritchard, James B. Recovering Sarepta, a Phoenician City: Excavations at Sarafund, 1969-1974, University Museum of the University of Pennsylvania. Princeton: Princeton University Press, 1978.

Supersessionismo

Supersessionismo é a doutrina de que os cristãos (o povo da “nova aliança”) substituíram os israelitas (o povo da “velha aliança”) como povo de Deus. Contrapõe às doutrinas de aliança dual, na qual a Aliança ou a Torá permanece válida para os israelitas, enquanto a Nova Aliança se aplica apenas aos cristãos.

Outras economias de relação Israel e Nova Aliança, especialmente no judaísmo messiânico, vê o plano divino como monolítico, sendo os gentios um enxerto em Israel.

Há várias vertentes do supersessionismo:

  • Substitucionismo: a Igreja é o novo ou verdadeiro Israel que substituiu para sempre a nação de Israel;
  • Supersessionismo punitivo: Israel foi punido por sua rejeição de Cristo;
  • Supersessionismo econômico: o plano divino reservou um papel a Israel que se expirou com a vinda de Cristo;
  • Superssessionismo estrutural: Deus não foi plenamente revelado como redentor nas Escrituras Hebraicas e para o antigo povo de Israel;
  • Marcionismo: o Deus dos hebreus era um deus malévolo, sendo o verdadeiro Deus somente revelado a partir de Jesus Cristo. Tal doutrina foi reformulada no chamado cristianismo positivo do nazismo.

Embora nem toda forma de supersessionismo seja necessariamente antissemita, praticamente todas formas de teologia da cristandade que foram antissemitas possuíam uma ou outra forma de supersessionismo.

VEJA TAMBÉM

Antissemitismo

Lei e Graça

Dispensacionalismo

Judaizantes

Judaísmo messiânico

Neo-israelismo

Teologias da Aliança

BIBLIOGRAFIA

Bird, Michael F., and Scot McKnight, eds. God’s Israel and the Israel of God: Paul and Supersessionism. Lexham Academic, 2023.

Diprose, Ronald E. Israel and the Church: The Origins and Effects of Replacement Theology. Rome: Instituto Biblico Evangelico Italiano, 2000.

Igreja Católica Apostólica Romana. Nostra aetate. Concilio Vaticano II, 1965.

Kaiser, Jr., Walter C. “An Assessment of ‘Replacement Theology’: The Relationship Between the Israel of the Abrahamic–Davidic Covenant and the Christian Church,” Mishkan 21 (1994):9.

Vlach, Michael J. “Various forms of replacement theology.” Master’s Seminary Journal 20, no. 1 (2009): 57-69.

Satanás

Sstanás, ou Satã, é a forma grega do termo hebraico satan (שָׂטָן), um substantivo genérico que significa “acusar” ou atuar como “adversário”, quer perante um tribunal (Salmo 109:6) ou de um forma geral de oposição (2 Samuel 19:22). Adicionalmente, o termo ganhou conotação de um ser maligno pessoal.

    Nas Escrituras o mal aparece como pessoal, ou seja, agente (com capacidade de ação) e personificado (com identidade), sendo representado por diversas formas. Depois do exílio babilônico os diversos nomes e alusões pessoais ao mal fundiram-se na figura do Inimigo, Satanás (forma grega do hebraico satan adversário, cf. 1 Samuel 29:4, Salmos 109:6; Números 22:22), ou Diabo (grego para “caluniador”, cf. Jó 1:9-11, Zacarias 3:1-5, Apocalipse 12:10).

    Satanás no Antigo Testamento

    Em sua forma genérica, satan denota algum inimigo na guerra (1 Reis 5:4; 11:14, 23, 25), inclusive um traidor na batalha (1 Samuel 29:4).

    No Antigo Testamento, a figura de Satanás como um ser divino aparece apenas três vezes. Em Jó 1-2 e Zacarias 3:1-2 Satanás é um membro da corte divina que acusa os humanos diante de Deus. Em 1 Crônicas 21:1, aparece como incitador do erro. No entanto, no Antigo Testamento não aparece como um inimigo de Deus ou como o líder das forças demoníacas do mal.

    Também como um antagonista divino, o termo aparece em Números 22:32, para referir ao anjo que se opõe a Balaão.

    Satanás no Novo Testamento

    No NT, o Mal é personificado e aparece com frequência, especialmente nos Evangelhos e Apocalipse. As designações como “diabo” (Mt 4:1), “tentador” (Mt 4:3), “acusador” (Ap 12:10), “governante dos demônios” (Lucas 11:15), “governante deste mundo” (João 12:31), “Belzebu” (Mt 10:25) e “o maligno” (Mt 5:37; Ef 6:13) são associadas a Satanás.

    Contudo, não há consenso quanto a associação entre figuras malignas e Satanás por todo o Novo Testamento. Estas passagens seguintes normalmente é aceita que Satanás e o Diabo sejam o mesmo ser:

    • Mateus 4:8-11, Marcos 1:12-13, Lucas 4:5-8.
    • Lucas 22:3-4, João 13:2-27.
    • Tiago 4:7.
    • Apocalipse 2:10; 12:9; passim.

    Já as passagens seguintes não possuem consenso quanto à identificação do Diabo com Satanás:

    • Mateus: 4:24, 8:16, 8:28, 8:31, 9:32, 12:22
    • Marcos: 1:32, 1:34, 6:13
    • Lucas: 8:2, 8:30, 9:1, 9:38
    • Tiago: 2:19

    Nos Evangelhos Sinópticos, Satanás é retratado trabalhando por meio de diferentes indivíduos, incluindo Pedro (Marcos 8:33) e Judas (Lucas 22:3). Um momento icônico envolvendo o Diabo ocorre no deserto, onde ele confronta Jesus (Mateus 4; Lucas 4).

    Nos escritos de Paulo, embora o Diabo seja ocasionalmente mencionado, sua presença não é tão frequente. O termo grego “satanas” aparece em várias cartas paulinas, como Romanos 16:20, 1 Coríntios 5:5, 7:5, 2 Coríntios 2:11, 11:14, 12:7, 1 Tessalonicenses 2:18 e 2 Tessalonicenses 2:9. A frase “ho diabolos“, provavelmente referindo-se ao Diabo, pode ser encontrada em Efésios 4:27, 6:11, 1 Timóteo 3:6,7 e 2 Timóteo 2:26. Paulo também utiliza a palavra “diaboloi” no plural, mas em referência aos caluniadores humanos (2 Timóteo 3:3, Tito 2:3). Outra menção é “Beliar” em 2 Coríntios 6:15. A frase “ho poneros”, que significa “o maligno”, é encontrada em Efésios 6:16 e 2 Tessalonicenses 3:3. Além disso, “ho peirazō” (o tentador) aparece em 1 Tessalonicenses 3:5, provavelmente referindo-se à mesma entidade mencionada como Satanás alguns versículos antes (1 Tessalonicenses 2:18). Além disso, Paulo se refere ao “príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera entre os desobedientes” em Efésios 2:2.

    Outras cartas paulinas, como Gálatas, Filipenses, Colossenses, Tito e Filemon, não apresentam o termo “Satanás” ou qualquer um de seus equivalentes.
    Notavelmente, na epístola mais longa de Paulo, a Carta aos Romanos, ele discute extensivamente o pecado e a natureza humana, mas se abstém de envolver explicitamente Satanás na equação, mencionando-o apenas uma vez na seção final (Romanos 16:20). Essa ausência de ênfase no papel de Satanás em levar as pessoas a pecar contraria a teoria de que Paulo abraçava uma cosmovisão dualista, na qual Deus se envolve em uma batalha contra uma contrapartida maligna pelas almas humanas.

    A Epístola aos Hebreus não menciona explicitamente o Satanás. No entanto, enfatiza a vitória de Cristo sobre o mal e o pecado, destacando o poder de Seu sacrifício para libertar a humanidade do domínio das trevas e da Morte, a qual é identificada com o Diabo (Hebreus 2:14-15).

    O Livro do Apocalipse revela uma imagem vívida da guerra cósmica e retrata Satanás como o Diabo (20:1-15). É um adversário confrontado e derrotado pelas forças divinas. Em Apocalipse 12:9, o dragão é identificado com o Diabo e Satanás:

    “E foi precipitado o grande Dragão, aquela antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, o enganador do mundo inteiro – ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele.”

    Interpretações e recepção

    Na concepção judaica a figura do ha-satan (“o satanás”) é entendida de forma diversa, porém mais comumente como um promotor celestial, subordinado a Yahweh, que acusa a nação ou algum israelita na corte celestial.

    Progressivamente, as figuras dos Arcontes, Azazel, Dragão, Inferno, Mastema, Beliar, Samael, Belzebu, Diabo, Lúcifer e ha-Satan foram fundidas na única figura do Diabo na Antiguidade Tardia e Idade Média. Assim, consolidou-se um mito de origem de Satanás como originalmente o maior dos anjos que se rebelou contra Deus e foi lançando à Terra para enganar, tentar, acusar e combater a Verdade, sendo seu domínio o Inferno. Nesse período, textos como Isaías 14:11-23 e Ezequiel 28:11-19, referentes aos reis de Babilônia e de Tiro, passaram a ser interpretados para dar suporte a essa narrativa. A batalha do céu de Apocalipse 12:7-12 não relata a origem de Satanás, nem diz quando ocorre a origem do mal.

    Tanto nos escritos judaicos quanto nos cristãos, prevê a derrota de Satanás pelo poder de Deus (Apocalipse 12:9-10; 20:1-15).

    BIBLIOGRAFIA

    Beck, Richard. Reviving old Scratch: Demons and the Devil for Doubters and the Disenchanted. Fortress Press, 2016.

    Jonker, Louis C. “” Satan Made Me Do It!” The Development of a Satan Figure as Social-Theological Diagnostic Strategy from the late Persian Imperial Era to Early Christianity.” Old Testament Essays 30.2 (2017): 348-366.

    Pagels, Elaine. “The Social History of Satan, the ‘Intimate Enemy’: A Preliminary Sketch”, Harvard Theological Review 84:2, 1991.

    Wray, T. J. and Gregory Mobley. The Birth of Satan: Tracing the Devil’s Biblical Roots. New York: Palgrave MacMillan. 2005.

    Saúde

    Na Bíblia, a saúde não se limita à ausência de doenças, mas abrange o bem-estar físico, mental e espiritual do indivíduo. A saúde física é frequentemente associada à obediência aos mandamentos divinos e à vida em harmonia com a criação. Provérbios, por exemplo, relaciona a saúde do corpo ao temor a Deus e à prática do bem (Pv 3:7-8). A saúde mental e emocional também é valorizada, com ênfase na paz interior, na confiança em Deus e no controle das emoções.

    A existência de doenças e aflições recebe causas como acidentes e envelhecimento, e a causas sobrenaturais, como o pecado e a ação de espíritos malignos. A cura, por sua vez, é frequentemente associada à intervenção divina, demonstrada através de milagres realizados por figuras como Moisés, Elias e Jesus. No entanto, a Bíblia também menciona práticas medicinais como o uso de ervas, a aplicação de unguentos e a realização de cirurgias rudimentares, indicando a existência de um conhecimento empírico de saúde. O deuterocanônico livro de Siraque 38:1-15 reconhece o papel do médico e o valor da medicina.