Anotações bibliográfica sobre as línguas da Bíblia.
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Mamon
Mamon (em grego μαμωνᾶς e em hebraico מָמוֹן) as riquezas ou sua personificação. O nome aparece em textos originalmente hebraicos (Sirácida 31:8; Pirkei Avot 2:12) ou de forma não traduzida em textos gregos (novamente Sirácida 31:8; Mt 6:24; Lc 16.9, 11, 13). Em aramaico aparece no Targum Jonathan Oseias 5:11; 1 Sm 8:3; 12:3b. Klein vê uma possível associação com אמן, confiança, firmeza.
Nas partes citadas de Mateus e Lucas, Jesus refere-se a Mamon como o apego idólatra às riquezas mundanas.
Sikkan
Tell Fekheriy é um sítio arqueológico na bacia do rio Khabur, no norte da Síria, identificado como o sítio de Sikkan, atestado desde cerca de 2000 aC.
Sikkan fazia parte do reino arameu de Bit Bahiani no início do primeiro milênio aC. Na área, vários montes (tells) podem ser encontrados nas proximidades: Tell Fekheriye, Ra’s al-‘Ayn e Tell Halaf, local da cidade arameu e neo-assírio de Guzana.
É o local da descoberta da inscrição bilíngue de Tell Fekheriye ou inscrição bilíngue de Hadad-yith’i. (KAI 309). A estátua de Adad-it’i (Hadd-yith’i), rei de Guzana e Sikan, no dialeto assírio do acadiano e em aramaico, apresenta muitos paralelos léxicos e temáticos com textos bíblicos. Mas é sua importância é por ser a mais antiga inscrição aramaica e mais antiga atestação textual da língua aramaica (anteriormente, só são registrados nomes ou palavras com “aramismos” em outros idiomas). A estátua constitui uma figura de pé vestindo uma túnica esculpida em basalto, com 2 metros de altura. É datada de cerca de 850-825 a.C.
A Adade, o cuidador do canal do céu e da terra, que faz chover em abundância, que dá pastagens bem regadas às pessoas de todas as cidades e que fornece porções de oferendas aos deuses, seus irmãos, cuidador dos rios que faz florescer o mundo inteiro, o deus misericordioso a quem é doce orar, aquele que reside na cidade de Guzana.
Hadad-yith’i, o governador da terra Guzana, filho de Sassu-nuri, governador da terra Guzana, dedicou e deu (esta estátua) ao grande senhor, seu senhor, por sua boa saúde e longos dias, por fazer seus números de anos, pelo bem-estar de sua casa, seus descendentes e seu povo, para remover as doenças de seu corpo, e que minhas orações sejam ouvidas e que minhas palavras sejam recebidas favoravelmente.
Que quem o encontrar em mau estado no futuro, renove-a e coloque meu nome nela. Quem remover meu nome e colocar o seu, que Adade, o herói, seja seu juiz.
Estátua de Hadad-yith’i, o governador de Guzana, Sikani e Zarani. Para a continuação de seu trono e o alongamento de sua região, para que suas palavras sejam agradáveis a deuses e homens, ele fez esta estátua melhor do que antes. Diante de Adade que reside na cidade Sikani, senhor do rio Habur, ele ergueu sua estátua.
Quem remover meu nome dos objetos no templo de Adade, meu senhor, que meu senhor Adade não aceite suas oferendas de comida e bebida, que minha senhora Shala não aceite suas oferendas de comida e bebida.
Que semeie, mas não colha.
Que ele possa semear mil (medidas), mas colher apenas uma.
Que cem ovelhas não satisfaçam um cordeiro da primavera.
Que cem vacas não satisfaçam um bezerro.
Que cem mulheres não satisfaçam uma criança.
Que cem padeiros não encham um forno!
Que os respigadores respigam dos poços de lixo.
Que a doença, a peste e a insônia não desapareçam de sua terra!
BIBLIOGRAFIA
Crouch, Carly L., Jeremy M. Hutton. Jeremy M. Translating empire: Tell Fekheriyeh, deuteronomy, and the Akkadian treaty tradition. Vol. 135. Mohr Siebeck, 2019.
Dušek, Jan; Mynářová, Jana. Tell Fekheriye Inscription. In Jan Dušek, Jan Roskovec (Orgs.): The Process of Authority, The Dynamics in Transmission and Receptionof Canonical Texts. Gruyter: Berlin/Boston, 2016.
Greenfield, Jonas; Shaffer, Aaron (1983). “Notes on the Akkadian-Aramaic Bilingual Statue from Tell Fekherye”. Iraq. 45 (1): 109–16. doi:10.2307/4200185. JSTOR 4200185.
Inscrição de Bukān
Inscrição aramaica descoberta em Bukān, Irã (KAI 320), a leste do império neo-assírio.
Nas 13 linhas que restaram da rocha de 80 x 150 cm contém um aviso e maldições contra quem removesse o monumento. Apresenta paralelos sintático, léxico e temático com outras fórmulas aramaicas e assíricas de maldição bem como Deuteronômio 28, Levítico e Jeremias.
BIBLIOGRAFIA
Ephʿal, Israel. The Bukān Aramaic Inscription: Historical Considerations. Israel Exploration Journal 49 (1–2).
Sokoloff, Michael. The Old Aramaic Inscription from Bukān. A Revised Interpretation. Israel Exploration Journal 49, 1999.
Apócrifo de Gênesis
Literatura parabíblica que expande o livro de Gênesis. Sobrevive em fragmentos dos manuscritos aramaicos descobertos no Mar Morto (1QapGen ou 1Q20).
Datado de entre 250 aC e 50 dC, o Apócrifo de Gênesis reconta as narrativas de Lameque, Enoque, Noé e Abraão ao estilo de midrash. Notoriamente, expande a narrativa de Lameque. Menciona um “livro perdido”, o Livro das palavras de Noé.
O Apócrifo de Gênesis tenta retratar os patriarcas com um tom moralmente melhor e dar uma interpretação teológica de suas vidas.
O livro é uma fonte importante para o aramaico palestiniano médio e é um dos mais antigos testemunhos que cita o livro de Gênesis.
O Apócrifo do Gênesis tem cerca de 17 colunas, o que corresponde a cerca de 20 páginas na tradução para as línguas ocidentais. O manuscrito está incompleto, com algumas seções faltando, tornando difícil determinar o tamanho exato.
BIBLIOGRAFIA
García Martínez, Florentino; Tigchelaar, Eibert J. C. . The Dead Sea Scrolls: Study Edition. 2 vols. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.
Fitzmyer, J. A. The Genesis Apocryphon of Qumran Cave I: A Commentary. 2d rev. ed.; Rome: Biblical Institute Press, 1971.
Reeves, J.C. Translation Of 1Q Genesis Apocryphon II-XXII.
Steiner, Richard C. “The Heading of the Book of the Words of Noah On a Fragment of the Genesis Apocryphon: New Light On a” Lost” Work1.” Dead Sea Discoveries 2.1 (1995): 66-71.
Stuckenbruck, Loren T. “The Lamech Narrative in the Genesis Apocryphon (1QapGen) and Birth of Noah (4QEnochc ar): A Tradition-Historical Study.” Aramaica Qumranica. Brill, 2010. 253-275.
