Sidom

Sidom (em fenício e hebraico ṣdn, grego Σιδών, latim Sidon e árabe ṣaydā), cidade fenícia na costa libanesa. Uma das mais antigas cidades da região, é ainda um importante centro urbano.

Na Bíblia, sidônio é usado como sinônimo de fenício. A cidade coordenava a grande rede comercial fenícia, fazendo-a rica, apesar de Tiro tomar seu lugar hegemônico entre os séculos X a.C. e IV a.C.

Sidom devia sua prosperidade ao seu porto e à fabricação e comércio de mercadorias como vidro e corante púrpura. Sua frota participou das Guerras Persas. A rica cidade comercial também foi um importante centro cultural e científico.

O reino de Sidom, atestado a partir do século XIV ao III a.C., era frequentemente tributário de outras potências, como Egito, Assíria, Pérsia e Alexandre, o Grande e seus sucessores.

A cidade foi destruída muitas vezes (em 677 por Esar-hadom, em 351 por Artaxerxes). Seu último rei governou até 279 a.C., a partir de então foi governada por sufetes. Seria dominada pelos selêucidas em 198. Alcançou a independência (111 aC), depois ficou sob a influência de Roma (64 a.C.) e tornou-se colônia romana (218 d.C.).

O santuário de Bostan Eshshé (séc. VI a.C. ao século VI d.C.) era dedicado a Eshmun (Asclépio). Astarte também era cultuada na cidade.

Edith Stein

Edith Stein (1891-1942) foi uma teóloga católica e mártir alemã.

Nascida em uma família judia ortodoxa, a caçula de onze crianças aderiu ao ateísmo na adolescência. Durante a Primeira Guerra Mundial, Stein foi voluntária da Cruz Vermelha. Estudou e doutorou-se em filosofia (a primeira mulher a receber tal doutorado na Alemanha), sob influência de Edmund Husserl, interessando-se pela fenomenologia.

Em 1922 converteu-se a Cristo ao ler Teresa d’Ávila, sendo batizada como católica. Banida da universidade pelos nazistas, entrou para a ordem das Carmelitas Descalças em Colônia. Foi presa nos Países-Baixos pela Gestapo e deportada para o campo de extermínio em Birkenau.

Desenvolveu uma teologia sobre as mulheres, defendendo o direito feminino ao acesso à educação e sua vocação profissional. Sua teologia parte da unidade do ser humano e na diferenciação dos gêneros. À mulher deveria ser garantido seu desenvolvimento humano, feminino e individual. Tomou como modelo a pessoa de Maria.

Stein foi pioneira de uma teologia que considera o judaísmo de Jesus Cristo e da Igreja Primitiva. Denunciou e rejeitou o antissemitismo. Sua teologia da cruz visava a união com Cristo.

Como filósofa, estudou a empatia como um meio de compreender o Outro através de si. Desse modo, a apreensão da realidade ocorre mediante a empatia.

Sikkan

Tell Fekheriy é um sítio arqueológico na bacia do rio Khabur, no norte da Síria, identificado como o sítio de Sikkan, atestado desde cerca de 2000 aC.

Sikkan fazia parte do reino arameu de Bit Bahiani no início do primeiro milênio aC. Na área, vários montes (tells) podem ser encontrados nas proximidades: Tell Fekheriye, Ra’s al-‘Ayn e Tell Halaf, local da cidade arameu e neo-assírio de Guzana.

É o local da descoberta da inscrição bilíngue de Tell Fekheriye ou inscrição bilíngue de Hadad-yith’i. (KAI 309). A estátua de Adad-it’i (Hadd-yith’i), rei de Guzana e Sikan, no dialeto assírio do acadiano e em aramaico, apresenta muitos paralelos léxicos e temáticos com textos bíblicos. Mas é sua importância é por ser a mais antiga inscrição aramaica e mais antiga atestação textual da língua aramaica (anteriormente, só são registrados nomes ou palavras com “aramismos” em outros idiomas). A estátua constitui uma figura de pé vestindo uma túnica esculpida em basalto, com 2 metros de altura. É datada de cerca de 850-825 a.C.

A Adade, o cuidador do canal do céu e da terra, que faz chover em abundância, que dá pastagens bem regadas às pessoas de todas as cidades e que fornece porções de oferendas aos deuses, seus irmãos, cuidador dos rios que faz florescer o mundo inteiro, o deus misericordioso a quem é doce orar, aquele que reside na cidade de Guzana.

Hadad-yith’i, o governador da terra Guzana, filho de Sassu-nuri, governador da terra Guzana, dedicou e deu (esta estátua) ao grande senhor, seu senhor, por sua boa saúde e longos dias, por fazer seus números de anos, pelo bem-estar de sua casa, seus descendentes e seu povo, para remover as doenças de seu corpo, e que minhas orações sejam ouvidas e que minhas palavras sejam recebidas favoravelmente.

Que quem o encontrar em mau estado no futuro, renove-a e coloque meu nome nela. Quem remover meu nome e colocar o seu, que Adade, o herói, seja seu juiz.

Estátua de Hadad-yith’i, o governador de Guzana, Sikani e Zarani. Para a continuação de seu trono e o alongamento de sua região, para que suas palavras sejam agradáveis ​​a deuses e homens, ele fez esta estátua melhor do que antes. Diante de Adade que reside na cidade Sikani, senhor do rio Habur, ele ergueu sua estátua.

Quem remover meu nome dos objetos no templo de Adade, meu senhor, que meu senhor Adade não aceite suas oferendas de comida e bebida, que minha senhora Shala não aceite suas oferendas de comida e bebida.

Que semeie, mas não colha.

Que ele possa semear mil (medidas), mas colher apenas uma.

Que cem ovelhas não satisfaçam um cordeiro da primavera.

Que cem vacas não satisfaçam um bezerro.

Que cem mulheres não satisfaçam uma criança.

Que cem padeiros não encham um forno!

Que os respigadores respigam dos poços de lixo.

Que a doença, a peste e a insônia não desapareçam de sua terra!

BIBLIOGRAFIA

Crouch, Carly L., Jeremy M. Hutton. Jeremy M.  Translating empire: Tell Fekheriyeh, deuteronomy, and the Akkadian treaty tradition. Vol. 135. Mohr Siebeck, 2019.

Dušek, Jan; Mynářová, Jana. Tell Fekheriye Inscription. In Jan Dušek, Jan Roskovec (Orgs.): The Process of Authority, The Dynamics in Transmission and Receptionof Canonical Texts. Gruyter: Berlin/Boston, 2016.

Greenfield, Jonas; Shaffer, Aaron (1983). “Notes on the Akkadian-Aramaic Bilingual Statue from Tell Fekherye”Iraq. 45 (1): 109–16. doi:10.2307/4200185JSTOR 4200185.

Sardes

Sardes era a capital do antigo reino da Lídia, uma das cidades mais importantes do Império Persa, sede de um procônsul sob o Império Romano. Situava-se no meio do vale do rio Hermo, no sopé do Monte Tmolus, onde hoje está Salihli (Sartmahmut ou Sart antes de 2005), com cerca de 5 mil habitantes. Dista 97 km de Éfeso e Esmirna.

Seu rio possuía muito ouro de aluvião. Seu rei Creso, que governou de cerca de 560 a 547 a.C., foi o primeiro a emitir as primeiras moedas de ouro puro (e prata) usadas no mercado. Nessa época, Sardes foi a capital do próspero império da Lídia.

Destruída por um terremoto no ano 17 d.C., foi reconstruída com suporte imperial romano. Conta com um templo a Artemis e Cibele além um banho e ginásio público. Foi uma importante cidade regional até o final do período bizantino.

Em Sardes há indícios que foi a fronteira ocidental do uso da língua aramaica, propagada durante os períodos persa e selêucida. É uma das leituras da localização de Sefarade de Obadias 1:20. Teve uma grande sinagoga, uma das maiores da Antiguidade. Em um estilo arquitetônico que relembra as basílicas cristãs, junto da vizinha sinagoga de Priene, a sinagoga de Sardes é um dos principais testemunhos materiais das comunidades judaicas da Ásia Menor na Antiguidade.

É uma das sete igrejas destinatárias das cartas de João do Apocalipse 3:1-6. A cidade teve como bispo Melito no século II.

Fidardo de Simoni

Fidardo de Simoni (1998- noite de 23 a 24 de março de 1944) foi um crente e mártir pentecostal italiano.

Nascido em Acqualagna (província de Pesaro, região das Marcas), mudou-se para Roma nos anos 1930, onde se converte à fé cristã evangélica. Casou-se com Emília Martorelli e o casal teve sete filhos – Teresa, Alba, Fidelba, Debora, Eliseo, Elia, Stefano – todos menores na época de sua morte.

No dia 1o de fevereiro de 1935 foi preso no 13 km da via Timburtina por conduzir um culto campal proibido pela Circular Buffarini-Guidi. Solto sob vigilância da polícia, em setembro de 1943 acolheu em sua casa fugitivos. A história varia em número de um a três bem como acerca da nacionalidade, se americanos ou ingleses. Delatado, foi preso no cárcere Regina Coeli.

Na noite de 23 a 24 marco de 1944, as forças nazistas, em represália à resistência, levam 335 civis, entre eles prisioneiros como Fidardo de Simone, para serem executados nas fossas Ardeatinas.

O laudo de exumação de corpo de delito n. 294, correspondente a Fidardo di Simone diz “religião católica [sic]. profissão operário. Serviço militar reformado. Preso no dia 17 de março na Via delle Ciliegie n. 185 pela SS alemã e trazido à Regina Coeli, III Braccio, por ter hospedado em seu alojamento três ingleses. A família não sabe se o mártir teve um suplício súbito, mas é certo que também por seu ideal comunista o mártire foi preso. No dia 24 de março de 1944, também ele, mártir entre mártires foi conduzido ao lugar do calvário.”

BIBLIOGRAFIA
MARTINO CONTU,MARIANO CINGOLANI,CECILIA TASCA, I Martiri Ardeatini. Carte inedite 1944 –1945. In onore di Attilio Ascarelli a 50 anni dalla scomparsa, AM&D Edizioni, “Serie Archivio Attilio Ascarelli”,Vol. I, Cagliari 2012, p. 143.

Laudo exumatório.