Sinagoga

As sinagogas eram locais e instituições sociais e religiosas dos israelitas na Antiguidade. Sua existência é atestada a partir do período helenista (do século III a.C. em diante), tanto na Diáspora quanto na Palestina.

Hipóteses outrora acreditadas de que a sinagoga surgiu durante o cativeiro babilônico como substituição do culto do templo ou que no final do século I d.C. houve uma separação entre cristãos — que ficaram com a Igreja — e os judeus, que permaneceram na Sinagoga, não são hoje consideradas válidas.

As sinagogas na Antiguidade eram instituições multifuncionais para leitura das Escrituras, orações, jejuns e festividades bem como fórum, escola, tribunal, tesouraria e arquivos públicos de sua comunidade. Seu culto incluia confissão de fé, oração, leitura das Escrituras, sermão e bênção. Análogos de organizações voluntárias e cultuais existiam em ambientes greco-romanos (collegia) e egípcio (per ankh). Os registros literários, epigráficos e arqueológicos apontam que, de fato, no século I d.C. houve uma profusão de sinagogas ou casas de oração (proseuche). Contudo, há registros arqueológicos anteriores como Schedia (Egito, século III a.C.), Delos (Grécia, século II a.C., congregando samaritanos) e Óstia (próximo a Roma, século I d.C), que atestam a distribuição pela Diáspora e sua antiguidade.

O Novo Testamento registra como as sinagogas foram locais para a pregação de Jesus e depois de seus discípulos, favorecendo a propagação do cristianismo na Diáspora. As homílias anti-judaicas de João Crisóstomos e a legislação anti-sinagoga no século V d.C. indicam que as sinagogas continuaram como local conjunto de vida social e cúltica dos cristãos e judeus por muito tempo.

BIBLIOGRAFIA

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Runnesson, Anders, Donald D. Binder, and Birger Olsson. The Ancient Synagogue from Its Origins to 200 C.E.: A Source Book. Leiden: Brill, 2008.

Período do Segundo Templo

O período do Segundo Templo (539 a.C-70 d.C.) começa quando os israelitas na Judeia, Mesopotâmia e Egito se encontravam sob o domínio persa e puderam reconstruir o templo em Jerusalém e termina com a sua destruição pelos romanos.

Por seis séculos, os israelitas estiveram sob os impérios persa, grego, macabeu e romano.

A cultura religiosa desenvolveu uma série de características como a sacralização do texto da Bíblia, instituições como a sinagoga, a noção do próprio judaísmo como uma identidade religiosa, uma intensa expectativa messiânica, um sentimento de que as obras de inquidades levaram à opressão e à diáspora.

O período do Segundo Templo é reconstruído por várias fontes literárias – como os Apócrifos e Pseudepígrafas; obras de autores que escreveram em grego, como o filósofo judeu Filo de Alexandria e o historiador Flávio Josefo, ambos do século I d.C,; o conjunto de textos descobertos nas cavernas do deserto da Judeia, principalmente os Manuscritos do Mar Morto; o Novo Testamento; e outras fontes.

As evidências arqueológicas de Jerusalém, Massada e outros locais ajudam a reconstruir uma imagem de como a cultura judaica emergiu dos resquícios da antiga cultura israelita e se desenvolveu no que mais tarde seria conhecido como cristianismo e judaísmo rabínico.

Soteriologia transformativa

As soteriologias transformativas são modelos que explicam o papel dos ensinos e obra de Jesus Cristo para a salvação centrados em seus efeitos transformativos na humanidade.

No cristianismo oriental a salvação é compreendida como um processo de tornar-se participante da natureza divina (2 Pedro 1:4) ou de redenção (resgate). Nesse processo, toda a obra de Cristo – encarnação, ensinos, morte, ressurreição e ascensão – afeta a salvação da humanidade.

Salvação é representada por vários conceitos no Novo Testamento como transformativa: justificação (Romanos 3:24, 59; Lucas 18:1-14), reconciliação (Romanos 5:10; 2 Coríntios 5.19), redenção (Romanos 3:24; Lucas 21:28; Efésios 1:7, 14; Colossense 1:14) e santificação (Filipenses 3).

A soteriologia transformativa enfatiza que a salvação em Cristo não é apenas um perdão inicial dos pecados, mas um processo contínuo de transformação que envolve a renovação da mente, a santificação e a participação na vida divina.

Esse pensamento transformativo foi notório na era patrística para se pensar a salvação. Constituiu a base teológica de Justino Mártir, Orígenes, Irineu, Atanásio, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, Cirilo de Alexandria e Hilário de Poitiers. É a concepção predominante na soteriologia das denominações orientais, sobretudo entre os ortodoxos gregos, no modelo de teose.

No ocidente, pelas influências de Tertuliano, Cipriano de Cartago e Agostinho, surgiram diversas outras soteriologias forenses (aquelas que visam declarar o ser humano pecador justo diante de Deus). Apesar disso, persistia noções transformativas de justificação. Mesmo esses teólogos não negligenciavam aspectos regenerativos. Agostinho, por exemplo, insistia na justificação como ação transformativa de Deus para tornar a pessoa justa, derramando amor direcionado ao próprio Deus e ao próximo com base em Romanos 5:5 (Agostinho. O Espírito e a Letra, 5). Contudo, práticas devocionais populares baseadas em uma transação penitencial e uma soteriologia exclusivamente forense a partir de Anselmo, a justificação forense praticamente virou o consenso dominante no mundo ocidental.

Nessa linha de soteriologia forense se desenvolveram o catolicismo romano com uma soteriologia penal-sacramental, a soteriologia da satisfação de Anselmo, a justiça imputada de Lutero, da substituição vicária de Calvino, da sinergia de Armínio, a justificação governamental de Grócio, dentre outras.

Contudo, essas abordagem como uma totalidade apresentam pontos sujeitos à crítica. Por exemplo, Darby Kathleen Ray entende a expiação ou reconciliação (o termo é fundido em inglês como “atonement”) como o ato de restaurar um relacionamento rompido entre a humanidade e Deus. No entanto, ela critica a compreensão forense da expiação, que enfatiza a morte sacrificial de Jesus como pagamento pelo pecado humano, sendo distorcida e usada para justificar o comportamento abusivo. Em vez disso, Ray sugere uma visão alternativa da expiação que se concentra nos aspectos de cura e reconciliação da obra de Cristo. A vida e os ensinamentos de Jesus, em vez de sua morte, oferecem as contribuições mais significativas para a expiação e que o objetivo da expiação não é apaziguar um Deus irado, mas restaurar relacionamentos rompidos entre os indivíduos e Deus, os outros e a si mesmo.

Alternativamente, os anabatistas enfocaram nos efeitos da salvação ao invés do início de seu processo como os reformadores magisteriais. Mesmo entre os luteranos, Lutero apresentava aspectos transformativos em sua soteriologia, desenvolvida por Osiander no modelo de justificação como a habitação de Deus no interior do crente (Inhabitatio Dei cum hominibus). Outras perspectivas transformativas foram reproduzidas entre os pietistas e morávios, com aspectos de União com Cristo ou União Mística. Por meio deles, essa soteriologia afetou o pensamento dos avivalistas, especialmente de John Wesley. Wesley combinou uma soteriologia forense magisterial arminiana com a soteriologia transformativa. Em outros desdobramentos, a soteriologia de Keswick adotou uma ênfase transformativa ao tratar o pecado como algo a ser curado.

O pentecostalismo sempre foi plural em sua teologia, mas há vertentes com um sólido fundamento em uma soteriologia transformativa. O pentecostalismo clássico abraçou essa soteriologia transformativa na fórmula quádrupla de que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura e é o rei vindouro. Dependente totalmente da graça, essas ações transformam o indivíduo, agrega-o à Igreja, transforma o corpo e o mundo por milagres sanatórios enquanto espera o reino de justiça.

Um subgrupo pentecostal, influenciados pela soteriologia de Keswick, refinou esse conceito na doutrina da Obra Plena do Calvário. Por ela, a salvação concorre na ação do Triúno Deus completada objetivamente na morte, ressurreição e envio do Espírito Santo por Jesus Cristo. Em uma eleição corporativa o pecado na criação já redimida é limpo. A justificação não ocorre separadamente da conversão e do novo nascimento, visto ser a salvação um processo regenerativo. Assim, por esse ato de graça para toda humanidade, os crentes são regenerados pela fé nessa obra plena e, revestidos de poder do Espírito Santo, caminham em santificação rumo à glória eterna.

Mesmo em correntes protestantes magisteriais, como o luteranismo, reformados e anglicanos, soteriologias transformativas ganharam novas recepções. Entre os reformados apareceram os trabalhos de Torrance, Herman Wiersinga, Julie Canlis, Hans Boersma, Joshua W. Jipp. Entre os luteranos destacam-se Tuomo Mannermaa e as escolas finlandesa e de Lund, além Jordan B. Cooper em língua inglesa. No evangelicalismo Michael Gorman, James F. McGrath, N. T. Wright, dentre outros, avançaram soteriologias transformativas.

Essas soteriologias recebem designações e modelos variados, como “modelo místico de redenção” (Ritschl), “fisicalismo” (Harnack), “substituição total” (Torrance) e “soteriologia redentiva” (Studebaker).

BIBLIOGRAFIA

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VEJA TAMBÉM

Justificação

Graça

Salvação

Soteriologia forense

Teoria participatória da expiação

Teoria da União Mística

Teoria da Influência Moral

Teose

União com Cristo

Sangar

Um dos libertadores de Israel no período dos juízes. Teria matado 600 filisteus com uma aguilhada de boi (Texto Massorético) ou uma relha de arado (Septuaginta).

Seu nome aparenta ser hurrita. É chamado de “filho de Anate”, mas não se sabe se é um patronímico ou uma alusão ao seu feito guerreiro (Anate era a personificação da deusa da batalha e destruição na mitologia sírio-cananeia).

Aparece brevemente em um versículo (Jz 3:30) que em alguns manuscritos gregos aparece antes de Jz 16:1. Adicionalmente, o cântico de Débora alude a ele (Jz 5).

Embora não seja chamado de juiz, tradicionalmente é contado entre eles.

Senaqueribe

Senaqueribe, em hebraico סַנְחֵרִיב, reinou de 705 a681 aC. como segundo rei da dinastia dos sargônidas da Assíria, fundada por seu pai Sargão II.

Realizou incursões campanhas contra as cidades fenícias, Laquis e cercou Jerusalém. Depois de saquear a Babilônia, ele foi assassinado por seus filhos.

Em 701 a.C., Senaqueribe marchou para conter as revoltas no sul do Levante. Enquanto isso, os revoltosos capturaram o rei de Ecrom, apontado pela Assíria. Esse rei foi levado para Jerusalém acorrentado e entregue a Ezequias, que o aprisionou.

Senaqueribe estava no cerco da cidade de Laquis, por isso enviou seus emissários a Jerusalém para exigir a libertação do rei preso e a rendição da cidade.

Enquanto os oficiais assírios lidavam com o problema em Jerusalém, Senaqueribe capturou Laquis e massacrou sua população. Os sobreviventes foram deportados para regiões da Assíria.

Durante o cerco, Ezequias libertou o Rei de Ecrom e enviou pagamentos em ouro e prata para Senaqueribe em Laquis.

O exército assírio retirou-se de Jerusalém para lutar contra os egípcios em Eltekeh. Depois de derrotarem as forças egípcias sufocaram as rebeliões em Ecrom, Tiro e Sidom.

O relato datado de cerca de 690 a.C. conta que Senaqueribe destruiu 46 das cidades de Judá e cercou Ezequias em Jerusalém “como um pássaro enjaulado”, conforme o Prisma de Senaqueribe.

O Antigo Testamento menciona Senaqueribe em 2 Rs 18:13–19:37 e seu paralelo em 2 Cr 32:1–23. Relato similar aparece em Is 36–37, mas omite o tributo de Ezequias a Senaqueribe.

Segundo o relato bíblico Ezequias se preparou para o ataque de Senaqueribe reconstruindo as defesas de Jerusalém e desviando a água para a cidade (2 Cr 32: 2–8). O túnel de Siloam atesta esses esforços. Senaqueribe então enviou uma segunda delegação para anunciar a destruição de Jerusalém (2 Re 19: 9–13; 2 Cr 32: 9–19). Ezequias novamente recebeu uma profecia de Isaías prometendo que o Senhor os libertaria (2 Re 19:14–34; 2 Cr 32: 20–21). Então, Senaqueribe voltou a Nínive depois que um anjo do Senhor matou 185.000 do exército assírio (2 Re 19: 35–36; 2 Cr 32: 21a). Foi assassinado por seus filhos e sucedido por Esar-Hadom (2 Re 19:37; 2 Cr 32: 21b).