Livros da Bíblia

Por conveniência e uma longa história editorial as Escrituras é comumente difundida em um só volume impresso. Entretanto, a Bíblia é uma biblioteca de vários livros de gêneros diversos e que circularam de forma independente ou em antologias e em suporte diferente.

O próprio termo Bíblia é plural de biblion, rolos de papiros ou pergaminhos, então o formato mais comum dos livros na Antiguidade tardia. Aos poucos, pelos processos de antologização e canonização, esses rolos foram agrupados em coleções.

A lista que se segue contém os 66 livros do cânone protestante.

Antigo Testamento (39 Livros)

PENTATEUCO (5)

Gênesis
Êxodo
Levítico
Números
Deuteronômio

HISTÓRICOS (16)

Josué
Juízes
Rute
1 Samuel
2 Samuel
1 Reis
2 Reis
1 Crônicas
2 Crônicas
Esdras
Neemias

POÉTICOS E SAPIENCIAIS (5)


Salmos
Provérbios
Eclesiastes
Cantares/Cântico dos Cânticos

PROFETAS MAIORES (6)

Isaías
Jeremias
Lamentações
Ezequiel
Daniel

PROFETAS MENORES (12)

Oseias
Joel
Amós
Obadias
Jonas
Miqueias
Naum
Habacuque
Sofonias
Ageu
Zacarias
Malaquias

Livros do Novo Testamento ( 27 Livros )

EVANGELHOS (4)

Evangelho segundo Mateus
Evangelho segundo Marcos
Evangelho segundo Lucas
Evangelho segundo João
Atos dos Apóstolos

EPÍSTOLAS PAULINAS (12)

Romanos
1 Coríntios
2 Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
1 Tessalonicenses
2 Tessalonicenses
1 Timóteo
2 Timóteo
Tito
Filémon

EPÍSTOLAS GERAIS

Epístola aos Hebreus

Epístola de Tiago
1 Pedro

2 Pedro
1 João
2 João
3 João
Epístola de Judas
Apocalipse


Sinopse dos livros da Bíblia

Naum

Profeta que argumenta que Deus demora a irar-se, mas de forma alguma irá ignorar as opressões epitomizada pela Assíria.

É uma série de três poemas. O primeiro é um poema acróstico, um poema alfabético com cada linha começando com letras sucessivas do alfabeto hebraico. Entretanto, cerca de dez a dezesseis letras das 22 do alfabeto aparecem, o que indica o caráter fragmentário do texto que nos chegou.

Diferentemente de outros livros proféticos, não contém exatamente profecias ou repreende o mau comportamento das nações. É antes uma celebração da queda dos assírios. Esses poemas se alegram com a queda de Nínive em 612, a capital do cruel império assírio. Os assírios eram odiados por sua brutalidade excepcional, sua desumanidade, particularmente em suas conquistas.

O argumento em Naum é que Deus usou a Assíria para disciplinar o reino de Israel – eles destruíram Israel – e para disciplinar Judá por suas transgressões. Mas Deus é o soberano universal e, portanto, a selvageria da Assíria – mesmo que fosse parte da disciplina divina –  é algo punível. A queda de Nínive é a vingança de Deus sobre a Assíria por sua desumanidade.

As legiões armadas marcharam contra Nínive e saquearam seu tesouro. As descobertas arqueológicas de Nínive, seu saque e das fossas rasas cavadas para esconder tesouros enquanto as pessoas fugiam confirmam a brutalidade desse evento.

A datação do livro é algo disputável. É uma das raras instâncias que Deus é chamado de baal na Bíblia Hebraica, o que remete à mentalidade pré-exílica. Uma tradição proto-rabínica (Seder olam Rabbah) situa Naum nos dias de Manassés. É possível que tenha sido membro da corte de Manassés, com acesso à política, língua e costumes assírios. No entanto, a antologização dos Doze Profetas coloca Naum junto de Habacuque e Sofonias e nos primeiros anos do século VII a.C. As alusões à queda de Tebas, no Egito, aos assírios em 663 a.C. e à de Nínive em 612 a.C. providenciam uma data limite aproximada para a composição.

Não há informações em outros lugares da Bíblia ou extrabíblicas contemporâneas sobre Naum. Mesmo a alusão no verso 1:1 de que Naum seria um elcosita é obscura.

Joel

Um dos profetas menores, provavelmente pré-exílico, profetiza que meios às pragas renasce uma esperança da atuação do Espírito do Senhor.

O PROFETA

Joel significa “Yahweh é El (Deus)”, um inverso de Elias, “Meu El (Deus) é Yahweh”. Outras pessoas chamadas Joel aparecem quase exclusivamente em livros tardios, como Crônicas (1 Cr 4:35; 5:4; 7:3; 11:38; 2 Cr 29:12), Es 10:43 , e Ne 11:9, exceto o primeiro filho do profeta Samuel (1 Sm 8:2).

O livro é atribuído a “Joel, filho de Petuel”, mas nada se sabe mais dele. Não aparece como personagem, sendo mencionado apenas no cabeçalho de 1:1.

O LIVRO

A tradição judaica situa Joel nos Profetas Posteriores como parte do Livro dos Doze, a coleção de livros proféticos curtos escritos em um único pergaminho. Tanto a Bíblia judaica quanto a cristã colocam Joel entre Oseias e Amós. O Grego Antigo (Septuaginta), no entanto, coloca o livro depois de Oseias, Amós e Miqueias.

Partes de Joel estão entre os manuscritos bíblicos mais antigos encontrados, incluindo o primeiro século a.C. Os Profetas Menores rolam em Qumran (4QXII) e no segundo século d.C. fragmentos de Wadi Murabbaʿat.

As Bíblias ocidentais e gregas dividem Joel em três capítulos, seguindo a Vulgata e o Grego Antigo. A Bíblia rabínica impressa tem uma divisão de capítulo diferente.

Bíblias ocidentais e gregaBíblia Rabínica
Joel 1Joel 1
Joel 2:1–27Joel 2
Joel 2:28–32Joel 3
Joel 3Joel 4

É difícil situar o contexto histórico do livro ou a data de sua composição. A posição próxima a Oseias e Amós indica uma composição pré-exílica, mas as abundantes alusões a outros escritos bíblicos aponta para uma redação no período do Segundo Templo.

ESBOÇO ESTRUTURAL

I. A praga dos gafanhotos 1:1-2:17

  • A Invasão dos Gafanhotos 1:1-12
  • Luto 1:13-20
  • A invasão de um exército 2:1-11
  • Convocação ao Arrependimento 2:12-17

II. O Dia do Senhor

  • A manifestação de Deus 2:18-32
  • O Dia do Juízo e Batalha Final 3

BIBLIOGRAFIA

Ahlström, Gösta W. Joel and the Temple Cult of Jerusalem. Supplements to Vetus Testamentum 21. Leiden, Netherlands: Brill, 1971.

Livro de Esdras

O livro de Esdras é um relato do fim do cativeiro babilônico e reconstrução da nação judia em Jerusalém mediante um renovado comprisso público com a Lei (Torá).

Nas versões hebraica, grega e latina, o Livro de Esdras era um só livro com Neemias até que na Baixa Idade Média começou a ser separado na Vulgata. No texto hebraico massorético faz parte dos Ketuvim, enquanto que na Septuaginta, Vulgata e outras edições ocidentais integra os Livros Históricos. É chamado de Esdras B (beta) na versão grega, em contraste com a versão expandida Esdras A.

As Memórias de Esdras (Esdras 7:27–9:15; Neemias 8–9) providenciam o contexto sobre o personagem e sua atuação nos esforços de restaurar a comunidade religiosa judia em Jerusalém com os retornardos da Babilônia.

Siraque 44-49, em seu elogio aos pais omite a menção de Esdras, talvez por razões polêmicas.

Não se sabe como se deu sua composição canônica, mas estudos recentes afirmam que Esdras e Neemias sejam obras distintas e de diferentes autores, bem como hoje é descartada a autoria de Esdras para os livros das Crônicas.

Cerca de 85 por cento do Esdras-Neemias é um amálgama de documentos. Isso inclui correspondência real, memórias (relatos em primeira pessoa) e listas.

Outras obras com o nome de Esdras existem, com diferentes trajetórias históricas de aceitação canônica.

ESBOÇO ESTRUTURAL:

  1. O Retorno do Exílio (1:1–6:22)
  2. A Obra de Esdras (7:1–10:44)

BIBLIOGRAFIA

Pakkala, Juha. “The Quotation and References of the Pentateuchal Laws in EzraNehemiah,” in Changes in Scripture: Rewriting and Interpreting Authoritative Traditions in the Second Temple Period, ed. Hanne von Weissenberg, Juha Pakkala, and Marko Marttila (Berlin: de Gruyter, 2011), pp.193-221.

Yoo, Philip Y., Ezra and the Second Wilderness. Oxford, 2017 https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780198791423.001.0001

Oseias

Oseias, filho de Beeri, foi um profeta do Reino do Norte (Israel). O nome significa “Yahweh salva”.

Teria profetizou durante a segunda metade do século VIII, próximo à época de Amós, durante o reinado do rei Jeroboão II (785-743 a.C.). Era um período de estabilidade para Israel, mas a Assíria estava começando a se levantar.

Seu casamento com Gomer e seus filhos são uma metáfora prolongada ou símbolo da infidelidade de Israel. Profetizando em uma época de prosperidade, não viu a queda de Israel

É um dos mais difíceis livros proféticos, com o hebraico muito difícil e às vezes parece um tanto obscuro. Junto de Amós é considerado um dos primeiros profetas literários, aqueles com livros, e um dos mais antigos livros a antigir sua forma canônica. No período persa ou helenista passou a integrar a coletânea dos Doze Profetas, a qual reúne os Profetas Menores.