Clemente de Alexandria (c. 150-c. 215) foi um professor cristão em Alexandria e autor patrístico que enfatizou a importância da filosofia e do aprendizado grego no desenvolvimento da teologia cristã.
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Apocalipse de Pedro
O Apocalipse de Pedro é um relato pseudoepígrafo (atribuído falsamente) de uma visão supostamente tida pelo apóstolo Pedro. Sua origem provável é no Egito, por volta 135 d. C. Provavelmente associado com comunidades gnósticas, é uma das mais antigas descrições cristãs das punições do inferno.
O Apocalipse de Pedro concentra-se na descrição de diferentes classes de pecadores e suas respectivas punições.
O livro deixou influências no cristianismo. Foi citado por Teófilo de Antioquia (c. 180), Clemente de Alexandria (c. 215), Metódio de Olimpo (c. 311) e Macário Magno (c. 400). Ainda a Divina Comédia de Dante e os testemunhos atuais de visitações ao inferno atestam a influência dessa obra.
Parte da literatura petrina, aparece como canônico para Clemente de Alexandria e para o Cânone Muratoriano. Eusébio considerava-o como espúrio.
O texto completo foi descoberto no inverno de 1887 no cemitério A em al-Hawawis na necrópole do deserto de Akhmim. Consiste em folhas de pergaminho da versão grega escritos no século VIII ou IX. Uma tradução etíope é conhecida desde 1910, com divergências com o texto grego.
Em sua descrição do céu e do inferno, o Apocalipse se baseia nas religiões de mistério órfico-pitagóricas. O inferno desse apocalipse remete ao tártaro dos gregos. A figura do rio de fogo certamente remonta ao antigo Egito. Deve-se à apocalíptica judaica os temas do juízo final, a ressurreição dos mortos e a destruição do mundo pelo fogo.
BIBLIOGRAFIA
Apocalipse de Pedro. Trad. de M. Saens Adorno. Ad Caelos, 2025.
Bíblia Hesiquiana
Hesíquio de Alexandria (?-c.300) foi um exegeta que produziu a Bíblia Hesiquiana, uma recensão da Septuaginta e partes do Novo Testamento (possivelmente, os quatro evangelhos).
Hesíquio teria sido bispo de um lugar no Egito no século III e é confundido com lexicógrafo homônimo.
Esta recensão é mencionada por Jerônimo como obra de Hesíquio com a colaboração de Luciano de Antioquia. Segundo Eusébio (Hist. Ecl.8.13.7), um tal Hesíquio foi martirizado sob Diocleciano com três contemporâneos: Pacômio, Fileas e Teodoro. Os quatro mártires escreveram uma carta datada de 296 d.C. a Melício, bispo cismático de Licópolis, no Alto Egito, repreendendo-o por ordenações irregulares
No século IV as igrejas do Egito e em Alexandria utilizavam a Septuaginta Hesiquiana ao invés da edição de Orígenes. Jerônimo (Praef. in Paral.; Adv. Ruf. 2,27) critica Hesíquio, acusa-o de interpolação em Isaías 58:11 (Comm. em Is. ad. 58, 11) e de falsas adições ao texto bíblico (Praef. em Evang.). O Decretum Gelasianum alude aos “evangelhos que Hesíquio forjou” e chama-os de apócrifos.
Zoã
Zoã, em hebraico צֹעַן, tso’an, era uma cidade no nordeste do delta do Nilo, no Egito, perto da margem sul do Lago Menzalé. Hoje é a cidade de San el-Hagar e seu nome grego era Tanis.
Zoã estaria nas proximidades de Gosem, a região onde os israelitas viviam no Egito antes do êxodo. Salmo 78 identifica Zoã como o local das maravilhas no Egito (Sl 78:12, 43; cf. Êx 7:14–12:30), mas não é mencionada no livro de Êxodo. De acordo com Nm 13:22, Hebrom foi construída sete anos antes de Zoã.
A cidade foi a capital do faraó Sheshonq I (Sisaque), que atacou o reino do norte de Israel e recebeu tributo de Roboão do templo de Jerusalém (1 Rs 14:25-26; 2 Cr 12 :2–9). Nos juízos das nações, profetas condenaram a cidade (Is 19:13; Ez 30:14).
Papiros de Zenon
Os papiros ou o Arquivo de Zenon (c.280-c220 a.C.) consiste de grupo de documentos descobertos na antiga Filadélfia, na região de Fayum, no Egito. Esses papiros eram documentos mantidos por Zenon, secretário de um funcionário do governo egípcio.
O Arquivo de Zenon registra a vida e a administração do Egito ptolomaico e datam do século III a.C,. entre os reinados de Ptolomeu II e Ptolomeu III.
Zenon, filho de Agreofonte, nasceu na cidade de Kaunos, na costa da Cária, na Ásia Menor grega.
Em 260 a.C., Zenon era secretário de Apolônio, um conselheiro de Ptolomeu II, responsável pelo tesouro e supervisão de várias terras. Além de manter os documentos, fazia o papel de chefe de gabinete, supervisionando os bens e interesses particulares de Apolônio, bem como escrutinando pessoas que pediam audiência com seu empregador.
Zenon parece ter viajado extensivamente em nome de Apolônio por todas as propriedades ptolomaicas. Teria viajado pela Palestia, Transjordânia e Síria. Atesta a presença da comunidade judia dos tobíadas em Amã. Também atesta a vida dos judeus no Egito.
O arquivo foi descoberto na década de 1915 nos restos de uma casa.
BIBLIOGRAFIA
https://apps.lib.umich.edu/reading/Zenon/index.html
Zenon Papyri: Jews in Hellenistic Egypt
